Marco Borggreve
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Pianista russo Nikolay Lugansky faz concertos com orquestra na Sala São Paulo

Artista será o solista em obras de Chopin da Filarmônica Real de Liège, trazida ao Brasil na temporada da Cultura Artística

João Luiz Sampaio, Especial para o Estadão

21 de junho de 2022 | 05h00

Nikolay Lugansky tinha 13 anos quando tocou pela primeira vez o Concerto para Piano n.º 2 de Chopin; já o primeiro concerto veio mais tarde, aos 32. Nos vinte anos que separam as duas estreias, o pianista russo tornou-se um mestre internacional do instrumento. E o compositor seguiu ao seu lado. “Esses dois concertos são sem dúvida os meus preferidos”, ele disse ao Estadão em entrevista no final da semana passada. “Posso te falar do primeiro movimento do Concerto n.º 1 ou do segundo movimento do Concerto n.º 2 durante horas, pode acreditar. Mas o fato, o resumo mesmo, é que eu amo tudo nessa música.”

Lugansky volta esta semana aos palcos brasileiros para tocar na Sala São Paulo ao lado da Orquestra Filarmônica Real de Liège, pela temporada da Cultura Artística – é o primeiro grande conjunto sinfônico estrangeiro trazido ao Brasil desde o início da pandemia.

Hoje, o pianista toca o Concerto n.º 1; amanhã, o Concerto n.º 2. Os programas se completam pela Sinfonia n.º 2 de Brahms e pela Sinfonia n.º 5 de Tchaikovski, respectivamente. A regência é do húngaro Gergely Madaras, que nas duas apresentações comanda a orquestra também no Adágio para Orquestras de Cordas do belga Guillaume Lekeu, representante da música do final do século 19, mas morto aos 24 anos.

Apesar da numeração, a ordem de composição dos concertos de Chopin é a inversa: o primeiro a ser escrito foi o número 2. Há, no entanto, apenas alguns meses de diferença entre eles, compostos entre 1829 e 1830, quando Chopin tinha apenas 20 anos.

“Eu não vejo diferenças profundas entre eles. Para mim, são muito representativos de um jovem Chopin, ainda vivendo na Polônia. E já a essa altura escrevendo para o piano de uma maneira especial. Nem todo concerto para o instrumento consegue ser tão inspirador, repleto de amor e de juventude como essas peças.”

Lugansky gravou as obras em 2014 na Polônia. E seus novos discos são dedicados a outro mestre da escrita para piano, Beethoven. Os álbuns foram gravados durante a pandemia e trazem sonatas célebres, como a Apassionata e a Sonata ao Luar, além das três últimas e ousadas peças do gênero escritas pelo compositor. 

“Em 2020, antes de a pandemia acontecer, a ideia era celebrar os 250 anos de Beethoven e a gravadora me sugeriu fazer os discos, um com peças mais populares e outro com as últimas sonatas”, ele explica, justificando em seguida a volta a um repertório que já havia gravado anos atrás. “Na verdade não gosto muito daqueles registros. E o tempo passa. Hoje, quando toco a Appassionata, por exemplo, entendo que há algo de brutal nas emoções narradas pela música.”.

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