Pianista portuguesa Maria João Pires toca em SP

A Sociedade de Cultura Artística abre hoje e amanhã sua temporada deste ano com uma atração de peso. Após anos de negociação, conseguiu trazer a São Paulo a pianista portuguesa Maria João Pires, dona de posto inquestionável entre os maiores pianistas de todos os tempos. Mas ela não está sozinha, vai tocar ao lado do baiano Ricardo Castro, um de nossos principais artistas radicados no exterior. No repertório, peças para piano a quatro mãos de Schumann e Schubert, além de sonatas de Chopin. "Um instrumento, duas pessoas que devem soar como uma só", eles explicam ao Estado . Os dois têm se apresentado juntos desde 2002, quando se encontraram pela primeira vez no Centro das Artes de Belgais, criado por Maria João no interior de Portugal. "Lá, entendemos a arte como algo que faz parte de nosso cotidiano, do dia-a-dia", diz, oferecendo pistas das razões que a levaram a diminuir uma concorrida agenda de concertos e se dedicar à formação de novos músicos e platéias. Maria João e Castro chegaram ontem a São Paulo, vindos de Salvador.Preste atenção ...na Sonata Op. 35, de Chopin, que Castro interpreta no programa de hoje. Iniciada em 1837, ela narra uma espécie de ciclo de vida: a peça se inicia com uma afirmação sobre o poder da vida, reflete sobre a dualidade bem/mal, esboça uma marcha fúnebre para a morte do "herói" da peça e se encerra, em seu quarto movimento, com um retrato do pós-morte. Repare como alguns temas reaparecem ao longo da obra e como motivos da Marcha Fúnebre, terceiro movimento da peça mas o primeiro a ser escrito, reaparecem ao longo de toda a sonata, a primeira de Chopin. ...no universo de emoções conflitantes da Sonata Op. 58, no programa de hoje, pelas mãos de Maria João. Chopin a escreveu em 1844, enquanto sofria de tuberculose, pouco antes do fim do relacionamento com George Sand. Ouça como, no primeiro movimento, por exemplo, momentos de grande exaltação aparecem lado a lado a trechos mais reflexivos e delicados. ...no caráter tempestuoso de duas das peças para piano a quatro mãos escritas por Schubert e presentes nos concertos de hoje e amanhã. O Allegro em Lá Menor Lebensstürm (hoje) já carrega no próprio nome o tom da partitura: Lebensstürm pode ser traduzido como "Tempestade da Vida". Já o Grand Rondeau (amanhã) teve veredicto dado por Schumann, para quem a peça era trabalho de um compositor em um momento de dor, debruçado sobre seu próprio passado. Repare também na Fantasia em Fá Menor, cuja melodia inicial é uma das mais belas escritas por Schubert. ...no tipo de sonoridade que Schumann extrai do piano em seus Estudos Sinfônicos Op. 13. A peça revela uma imaginação bastante rica, seja no modo como o compositor cria 12 variações a partir de um único tema, seja nos modos de utilização do piano para criar sonoridades bastantes distintas. Maria João Pires e Ricardo Castro - Hoje e amanhã, às 21 horas, De R$ 110 a R$ 220. Teatro Cultura Artística. Rua Nestor Pestana, 196, tel.: 3256-0223

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