Pianista cubano faz apresentações em São Paulo

Uma oportunidade rara, dirigida aos poucos que disponibilizam de tempo. O pianista cubano Guillermo Rubalcaba, de 78 anos, faz duas apresentações somente hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), às 13h e às 19h30. E a entrada custa R$ 6. "Adoro vir ao Brasil. Não vejo a hora de sair em busca de CDs de músicos brasileiros", diz o pianista. Os dois shows que ele vai apresentar hoje integram a série Música de Cuba e a exposição Arte de Cuba, que pode ser visitada até o dia 23 de abril, também no CCBB. Já passou pelo palco, no dia 7, o Cuba Jazz Plus, grupo que reúne jovens músicos cubanos, como o pianista Yaniel Matos e o trompetista Julio Padrón, e na próxima terça, a banda Jóvenes Clásicos del Son vai encerrar a programação mostrando o ritmo "caliente" da salsa. Rubalcaba conta ter uma família musical. Teve três filhos - um que já morreu e outros dois que seguiram seus passos: Jesús e Gonzalo são também pianistas. Gonzalo, que esteve no Brasil em setembro, começou a carreira musical tocando percussão. "Quando as pessoas perguntavam por que ele não tocava piano, respondia: "Isso é para mulher". E então diziam: "Mas seu pai é mulher por acaso?", diverte-se Rubalcaba. Além do piano, o veterano também toca violino e sax. O despertar para a música começou dentro de sua casa, em Pinar del Río. "Meu pai tocava trompete e trombone. Minha irmã era professora de piano. Quando tinha uns 8 anos, ela começou a me ensinar e eu dedilhava o que me vinha à mente." Pouco depois, Rubalcaba entrou para o Conservatório de Música de sua cidade. Lá teve aulas com o compositor cubano Julian Orbón. Aos 15, já integrava a sua primeira charanga (ou orquestra). "Tocávamos na emissora CMAV e ainda me apresentava com o violino ", conta. Somente em 1959, aos 32 anos, é que Rubalcaba foi para Havana. Depois de conhecer o criador do chachachá, Enrique Jorrín, em 1964, viajou para diversos países da África, onde realizou uma turnê que durou um ano. De lá para cá, Rubalcaba integrou muitos projetos, dentre os quais o Buena Vista Social Club como pianista convidado. De todos os integrantes, Rubalcaba diz que Ibrahim Ferrer era o amigo mais próximo. "Fizemos diversas canções juntos." Ele concorda que o projeto musical mais famoso de Cuba tomou proporção internacional com a ajuda do filme de Win Wenders, de 1998. Em 2004, o seu sexto disco, Pasado y Presente (2002), foi indicado para o Grammy de álbum latino. Para o público brasileiro, Rubalcaba promete fazer uma apresentação especial tocando canções como Garota de Ipanema e Aquarela do Brasil. "Senão, corro o risco de ser apedrejado", brinca. Guillermo Rubalcaba. CCBB, Teatro (130 lug.). R. Álvares Penteado, 112, 3038-6698. Hoje, 13h e 19h30. R$ 6

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2006 | 11h08

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