Holger Hage/DG
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Pianista canadense de 22 anos abre temporada da Cultura Artística

Jan Lisiecki se impõe como intérprete de Chopin

João Luiz Sampaio / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 Março 2018 | 20h26

O pianista Jan Lisiecki fala muito de Chopin – e sabe disso. “Peço perdão por minha paixão por ele, mas sua música me permite a todo instante ampliar meus horizontes”, diz, um tanto constrangido. Mas, na verdade, ele não tem do que se desculpar. Lisiecki tem apenas 22 anos – mas já é um nome consolidado no cenário internacional. E deve isso em grande parte ao compositor, que domina o programa que ele apresenta nesta terça, 13, na Sala São Paulo, abrindo a temporada da Cultura Artística.

Canadense de origem polonesa, Lisiecki tinha 13 anos quando subiu ao palco para interpretar o Concerto n.º 2 para piano e orquestra do autor com a Sinfonia Varsovia; aos 14, foi a vez do n.º 1. Até aí, nada demais. Mas, em 2010, no ano do bicentenário do compositor, o Instituto Fryderyk Chopin resolveu lançar os registros ao vivo daquelas apresentações como CD comemorativo. 

“Minha reação foi de certo pavor”, lembra o pianista. “Ninguém havia pensado que aqueles concertos poderiam virar CD. Imagine que tive de aprender o Concerto n.º 1, que eu nem tinha no meu repertório. Mas então conversei com o maestro Howard Shelley e ele me garantiu que não havia nada que me envergonhasse ali.”

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A modéstia combina com a fala tranquila de Lisiecki, mas a partir daquele momento sua carreira deslanchou. Substituiu, em 2013, Martha Argerich em uma série de concertos com Claudio Abbado. Gravou o Concerto n.º 20 de Mozart na Alemanha, com Christian Zacharias; e, na Itália, o Concerto de Schumann, com o maestro Antonio Pappano, já como contratado do selo Deutsche Grammophon. E, no começo deste ano, um novo disco dedicado a Chopin, desta vez com obras menos conhecidas para piano e orquestra, como o Andante Spianato e as Variações sobre La ci darem la mano de Mozart. O disco está sendo lançado em edição nacional.

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Ele não se dá por satisfeito. “Você não pode acelerar a sabedoria. Eu preciso de tempo”, ele diz, e em seguida fala do disco novo. “Fiquei muito feliz e envergonhado. Feliz por descobrir todas essas obras que poucos conhecem. E envergonhado justamente pelo fato de que eu não as conhecia. Por mais que em alguns casos sejam obras de juventude, muitas delas escritas como veículo para o próprio Chopin como pianista, elas já trazem a marca de sua relação com o instrumento. Ele sabe o que tirar do piano, mas ao mesmo tempo deixa espaço para o intérprete encontrar sua verdade.”

O recital de hoje começa e termina com Chopin, com seus Noturnos op. 55, o Noturno n.º 1 op. 72 e o Scherzo n.º 1 op. 20. Entre eles, Nachststücke, de Schumann, Gaspard de la Nuit, de Ravel, e Morceaux de Fantaisie, de Rachmaninov. “São todos autores importantes para a história do piano, e isso os une. Mas em termos de conceito acho que, mesmo que ninguém precise saber disso, há esse caráter noturno que perpassa as peças, em cada uma de forma diferente. No fundo, tentei montar um programa que pudesse despertar algum interesse no público, que fizesse as pessoas querer ir de uma peça a outra.”

JAN LISIECKI. Sala São Paulo. Praça. Júlio Prestes, s/nº; 3256-0223. R$ 75 / R$ 500. 3ª (13), 21h. 

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