Petrobras resgata memória musical brasileira

Foi lançado hoje o Programa Petrobras Música, que destina R$ 2,5 milhões ao resgate de nossa memória musical. Ao todo, a empresa tem verba de R$ 7 milhões, dos quais R$ 4,5 milhões vão para a Orquestra Sinfônica Petrobras Pró-Música. Os outros projetos serão escolhidos por meio de concorrência e cada selecionado poderá receber um teto de R$ 500 mil da Petrobras, por intermédio das leis de incentivo à cultura.A destinação à memória da música brasileira, popular e erudita, foi uma determinação da estatal, após pesquisa de mercado. "Essa é uma área com um rico acervo, pouco acessível ao público", explicou a gerente de Patrocínios da empresa, Lorena Coelho. "Nossa intenção é mudar essa situação, visando ao que não encontra espaço no mercado, mas tem urgência de ser sistematizado."A escolha caberá a uma comissão coordenada pelo professor de literatura, compositor e crítico musical José Miguel Wisnik. "Vamos evitar o que está acessível ao público e privilegiar o que precisa passar para a história. Trabalharemos com a idéia de acervo vivo", disse Wisnik. "Há coleções e arquivos que não estão à disposição do público e há também uma memória imaterial, manifestações que merecem registro pelo seu valor singular, mas de interesse coletivo."Quanto à música erudita, devido às particularidades do mercado brasileiro, o programa vai privilegiar o registro da produção, atual ou passada, já que a grande dificuldade dessa área é a execução e o registro das obras.Não há um número máximo de projetos a serem patrocinados mas Wisnik estabeleceu prioridades. "Temos cinco séculos de história de música e não podemos atender a todos. Pesquisas que têm espaço no mercado serão preteridas em função de outras que não chegam ao grande público", ressaltou.Uma das metas é ampliar o alcance regional do programa. Se em 2001, 80% dos patrocínios federais foram para do Rio e São Paulo, a Petrobras quer ampliar esse leque. " A demanda maior vem desses Estados. Por isso, é importante a divulgação em todo o País", comentou Lorena. "Conseguimos diversificar nas artes plásticas e privilegiamos a a itinerância nas artes cênicas.O acesso ao público do produto gerado pelo projeto também entra como critério de escolha. No ano passado, o disco Ouro Negro, com o maestro e compositor Moacir Santos, recebeu R$ 600 mil da Petrobras e o CD duplo foi para as lojas, lançado pela Universal, por R$ 44, preço de um disco produzido sem qualquer patrocínio. "Essa é uma questão relevante que deverá ser levada em conta na seleção dos projetos, para ser corrigida", diz Wisnik.Os projetos devem chegar à Petrobras até 7 de junho. Até lá, a empresa dará esclarecimentos sobre o programa por telefone (0800-789001), fax (21) 2534-6981) ou e-mail: música@petrobras.com.br.

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