Petrobras divulga projetos de restauração musical

Uma equipe coordenada pelo pesquisador pernambucano Carlos Sandroni vai refazer os passos da expedição folclórica organizada por Mário de Andrade em 1938, quando uma equipe organizada pelo escritor foi às regiões Norte e Nordeste registrar o repertório de canções populares locais. A reedição do projeto de Mário de Andrade foi um dos projetos selecionados no primeiro Programa Petrobras de Música, que vai contemplar, com um total de R$ 2,5 milhões, 12 projetos de recuperação de registros musicais brasileiros.O projeto de Sandroni, intitulado Registro Sonoro de Tradições Musicais de Pernambuco e Paraíba no percurso da Missão de Pesquisas Folclóricas de 1938, prevê o registro de repertórios e práticas musicais como aboios, banda-de-pífanos, reis de congo, coco e outros sons tradicionais do Nordeste. O programa selecionado da Petrobras terá como fruto a edição de 6 mil CDs com uma seleção do repertório pesquisado, que será distribuído a instituições culturais. "Vamos poder comparar o material que foi colhido em 38 com o que se faz atualmente na região", comenta o diretor do Centro Cultural São Paulo, onde estão os registros antigos, Carlos Augusto Calil.O material coletado pela equipe de Mário de Andrade está sendo recuperado em parceria entre o Centro Cultural São Paulo e a Vitae. De acordo com o diretor do centro cultural, Carlos Augusto Calil, as gravações, que totalizam 36 horas de música, serão expostas ao público a partir do ano que vem em uma exposição itinerante. "Vamos lançar em São Paulo, em parceria com o Sesc e depois percorrer o Brasil, passando inclusive pelos locais onde foram gravados os registros", adianta Calil.O Centro Cultural São Paulo também foi um dos selecionados pela Petrobras, em um projeto de restauração e digitalização do acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga, discípula de Mário, que continuou o trabalho de montagem da discoteca iniciada pelo ex-coordenador do departamento de cultura. Serão digitalizados 20 mil discos e 27 mil partituras, a maior parte deles de música brasileira. O acervo será disponibilizado na internet, diz Calil, mas parte das músicas só poderá ser ouvida no centro cultural, devido às restrições de direito autoral.A Petrobras recebeu 466 inscrições de projetos para o programa. "Foi complicadíssimo para chegarmos aos finalistas. Em alguns casos, tivemos que optar por um projeto devido à urgência", conta a gerente de patrocínios da Petrobras, Lorena Coelho.Como exemplo, ela cita a recuperação de gravações de músicas em cilindros de cera, feitas na primeira metade do século e guardadas no Arquivo Nirez, de Fortaleza. "Estes registros estão se deteriorando, por isso temos que correr com o trabalho", diz. São 22 mil discos que serão restaurados e depois digitalizados."Normalmente, os patrocinadores de música voltam suas atenções para os grandes eventos musicais, mas fica faltando o registro de coisas pequenas, que estão guardadas em discotecas ou ainda nem foram gravadas", analisa Lorena. Voltado para este foco, o Programa Petrobras de Música foi iniciado, de fato, no ano passado, com o apoio à recuperação do acervo de mais de 2 mil partituras da Arquidiocese de Mariana. "Foi o embrião deste trabalho", conta. Um início promissor: o projeto recebe, no fim do ano, o prêmio Rodrigo de Melo Franco, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).O primeiro Programa Petrobras de Música selecionou, além dos três já citados, o Projeto Coleção Documentos Sonoros e o projeto Timbira, com registros de repertórios indígenas; o projeto Banda Musical do Corpo de Bombeiros, com o acervo da corporação no Rio; o projeto Brasiliana, com o acervo de Radamés Gnatalli; a edição das canções de Alberto Nepomuceno; o registro sonoro e virtual do projeto Som da Rua; o projeto Canta meu Boi, com a obra do mestre Manoel Marinheiro, do Rio Grande do Norte; e um resgate da música instrumental brasileira, principalmente na Bahia, do início do século. Além disso, haverá uma gravação de cinco CDs de música brasileira contemporânea.

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