Divulgação
Divulgação

Peter Hook diz que reconciliação com New Order é impossível: 'Isso nunca vai acontecer'

Após brigas e processos, baixista deixou a banda em 2007

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2016 | 05h00

Peter Hook fala de maneira displicente. Com respostas curtas e secas, ele parece não se interessar muito pelo bate-papo. O cenário muda completamente quando o músico descobre que Bernard Sumner, Stephen Morris e Gillian Gilbert, integrantes e desafetos declarados de sua ex-banda, o New Order, estarão em São Paulo em um intervalo de cinco dias de diferença para se apresentar na cidade. “Eles também farão show por aí? Sério? Bom, tudo não passa de uma grande coincidência. Acho que não vou me sentar com meus ex-amiguinhos para jantar, abrir uma garrafa de champanhe e falar sobre a vida, não?”, diz Peter Hook, em uma conversa a partir daí descontraída com a reportagem do Estado por telefone, direto do hotel onde estava hospedado, na Flórida, na semana passada.

Peça-chave da musicalidade dance do New Order e um dos fundadores do Joy Division, de Ian Curtis, o baixista Peter Hook volta novamente à capital paulista com o The Light, sua banda de apoio. Desta vez, entretanto, eles vão tocar na íntegra as músicas da coletânea Substance, que traz o melhor de seus dois ex-grupos. No show, clássicos como Bizarre Love Triangle, The Perfect Kiss, Ceremony, Atmosphere e o hit indie cortador oficial de pulsos, Love Will Tear Us Apart. “Acho que a estrutura desse show é um dos mais legais para quem curte Joy Division e New Order. Tem algumas composições mais desconhecidas, mas, em contrapartida, ele é recheado de hits. Uma sequência arrebatadora”, afirma Peter Hook.

Figurinha carimbada em terras brasileiras, Peter Hook, que acaba de lançar o livro Substance: Inside New Order (leia mais abaixo), deixou o New Oder em 2007. De lá para cá, tornou-se desafeto dos antigos integrantes de banda. Peter processou judicialmente os ex-amigos, pediu 2 milhões de libras, valor referente a direitos autorais e, de quebra, tentou, em vão, impedir que o grupo excursionasse mundo afora utilizando o nome New Order. Apesar das desavenças, existe alguma possibilidade de vê-los juntos no palco novamente? “Você está de brincadeira?”, berra Hook. “Isso nunca vai acontecer. Estamos brigando na Justiça. O que eles fizeram foi bem sério. O Bernard Sumner me chamou de lixo no livro que escreveu sobre o New Order (Chapter and Verse: New Order, Joy Division and Me). Acho que ele foi honesto sobre o Joy Division, mas ele escreveu uma coisa completamente simplória sobre mim e o New Order”, desabafa Hook.

Rancor. O New Order é uma das bandas mais importantes da história da música pop. Nascido das cinzas do Joy Division, o grupo formado em Manchester mudou a cara da dance music ao juntar dois universos antagônicos: o rock e a música eletrônica. “Acho que a história do Joy Division e do New Order sempre devem ser respeitada, independentemente das questões jurídicas atuais. Estar em São Paulo na mesma época que eles é algo que deve ser levado em conta. Não sei como reagiria se eu os encontrasse num restaurante, por exemplo. Acho que abriria uma garrafa de champanhe e tomaria calmamente minha bebida. Nem olharia para os lados”, gargalha Hook.

Hook lava a alma em nova biografia sobre o New Order

O livro Substance: Inside New Order, escrito por Peter Hook, conta todos os detalhes da intensa e conturbada relação entre os integrantes do New Order. O calhamaço de 768 páginas, da editora inglesa Simon & Schuster, esclarece desentendimentos e mostra a versão de Hook para muitas polêmicas envolvendo o grupo. “O Bernard Sumner não soube fazer isso no livro que ele escreveu (Chapter and Verse: New Order, Joy Division and Me). Não dá para dizer que aquilo é a verdadeira história do New Order”, diz ele. Ainda sem data para ser lançada no Brasil, a obra acaba de chegar às livrarias da Europa e dos Estados Unidos. A publicação traz detalhes de apresentações históricas, incluindo set lists e informações de bastidores. “Tenho memória de elefante para coisas que aconteceram há muito tempo, num passado muito remoto, apesar de não lembrar nem o que comi no café da manhã”, brinca ele.

PETER HOOK AND THE LIGHT 

Cine Joia. Praça Carlos Gomes, 82, Sé, tel.: 3101-1305. Dia 6/12 (3ª). Ingressos esgotados.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.