Juliana Coutinho / Multishow / Divulgação
Juliana Coutinho / Multishow / Divulgação

'Pessoas podem entender o que acontece no País pela nossa arte', diz Iza

Ao lado de Tatá Werneck e Paulo Gustavo, cantora falou sobre como será apresentar o Prêmio Multishow 2020 durante uma pandemia

André Carlos Zorzi, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2020 | 17h25

O Prêmio Multishow 2020 ocorre na próxima quarta-feira, 11 de novembro, com apresentação de Paulo Gustavo, Tatá Werneck e Iza. Os três participaram de coletiva virtual com jornalistas na tarde desta quinta, 5, e falaram sobre os preparativos para a atração.

O trio abordou a expectativa para subir no palco ao vivo durante a pandemia, a plateia virtual, transformações no humor e discussões relacionadas à figura da mulher na sociedade.

Humor em tempos de pandemia

Como humoristas, Tatá Werneck e Paulo Gustavo abordaram a questão das transformações do humor em um momento de pandemia.

"Fiquei muito receosa no Lady Night para fazer brincadeiras quanto a isso, porque não acho engraçado. É uma dor para muita gente. Brinquei mais com o meu medo do que com a dor dos outros", explicou Tatá. 

Em seguida, a humorista analisou: "O humor é uma ferramenta política, não vejo o humor como uma piada por si só, é um agente transformador".

"Acho que o humor vem se transformando, a gente vem entendendo que tem coisas que a gente não pode falar mais porque são criminosas. A gente é obrigado, sim, a se reinventar todo tempo. Coisas que já não poderiam ser ditas antes, hoje, a gente tem certeza que não pode", concluiu.

Já Paulo Gustavo opinou: "Fico um pouquinho receoso de fazer certas piadas na internet. A gente ainda está nesse momento [de pandemia], mas pegou a gente de surpresa. A gente ficou nervoso e com medo de fazer piada, postar... Depois o pessoal foi relaxando. Hoje a gente já consegue lidar melhor com essas piadas".

Plateia virtual

Sobre a ausência de uma plateia física, por conta da pandemia do novo coronavírus, Tatá Werneck citou as gravações que realizou em seu programa de entrevistas: "Gravei o Lady Night, demorei a me encontrar no começo, porque estava com muito medo e tinha pouco retorno das pessoas. Parecia uma conversa intimista no maracanã. Demorei um pouco, mas a gente se adapta." 

"É claro que a gente vai sentir falta da plateia. Sou ator de teatro e a Tatá também é. A gente sabe muito bem a importância desse feedback da plateia na hora, o calor e a energia são diferentes. Mas a gente também sabe fazer coisas que não tem plateia. Dramaturgia, cinema, TV, não têm plateia. Acho que a gente vai saber conduzir direitinho", opina Paulo Gustavo.

'Sempre vai haver espaço para mulher falar sobre a dor de outras mulheres'

O trio também foi questionado se a discussão acerca do abuso feminino que ganhou a sociedade nos últimos dias, por conta do caso Mari Ferrer, em que muitos artistas chegaram a publicar hashtags contra o termo "estupro culposo", poderia ter espaço no prêmio.

"Se uma mulher é vítima de estupro e não morre na hora, ela morre por dentro. Duvido que quem não foi assediada, não conheça alguém que já foi.  Sempre vai haver espaço para uma mulher poder falar sobre a dor das mulheres", comentou Tatá Werneck.

Em seguida, complementou: "As pessoas acham que feminismo é movimento contra os homens. feminismo é um movimento a favor da mulher. Se ela quiser ser dona de casa, não trabalhar, pode ser, mas quem defende isso é o feminismo."

Iza valorizou o papel dos artistas em discussões na sociedade: "Daqui a alguns anos, muitas pessoas podem entender a história, o que está acontecendo no nosso País, através da nossa arte, da minha música, dos textos da Tatá, do Paulo. Principalmente um assunto tão importante quanto esse."

"[Deve-se usar] o prêmio, que é um espetáculo ao vivo, atinge milhões de pessoas, para tocar nesse assunto que está em pauta e é tão importante dizer. Sempre tem espaço, sim, tem que falar tudo. A gente vai homenagear e premiar  mulheres", disse Paulo Gustavo.

A diferença do ao vivo

Iza, que faz sua estreia como apresentadora do prêmio e também terá um número musical durante a cerimônia, destacou a "responsabilidade muito grande", com "muita coisa aparecendo ao mesmo tempo" em uma transmissão ao vivo. 

"Tanto no ao vivo quando no gravado, você fica ansioso, rola 'frio na barriga', porque quer fazer aquilo muito bem. A parada legal no gravado é que não fica tão tenso no tempo como no ao vivo. De certa forma, fico mais relaxada quando estou fazendo uma coisa gravada", disse.

Como será o Prêmio Multishow 2020

A 27ª edição do Prêmio Multishow contará com plateia virtual, por conta da pandemia do novo coronavírus, mas terá shows em cinco Estados. No Rio de Janeiro, apresentações de Dilsinho, Lexa, Ludmilla, Lulu Santos, Kevinho, Pedro Sampaio e Teresa Cristina.

Ivete Sangalo se apresentará diretamente da Bahia, Wesley Safadão do Ceará, Skank e Jota Quest de Minas Gerais e, em São Paulo, Luísa Sonza vai dividir o palco com Léo Santana e MC Zaac.

O tema "A Música não Para" tem intenção de "representar toda a transformação que a indústria musical passou com a pandemia", informou o canal. A votação fica aberta no site do Prêmio Multishow até o dia 8 de novembro. Veja abaixo quem está concorrendo neste ano.

Sobre a temática da premiação, Paulo Gustavo relembrou os tempos em que sua mãe, que era professora da rede pública, completava a renda cantando bossa nova em bares e clubes, entoando músicas de nomes como Ary Barroso, Vinicius de Moraes e Toquinho.

"A música conecta a gente com o passado, leva para outra época, faz relembrar momentos. Toda a nossa vida é marcada pela música", afirmou. 

Quem são os indicados ao Prêmio Multishow em 2020

Cantor do ano: Dilsinho, Emicida, Gusttavo Lima, Vitão e Vitor Kley

Cantora do ano: Anitta, Ivete Sangalo, Iza, Luísa Sonza e Marília Mendonça

Música do ano: A Gente Fez Amor (Gusttavo Lima), A Tal Canção Pra Lua (Vitor Kley e Samuel Rosa), Desce Pro Play (PA PA PA) (MC Zaac, Anitta e Tyga), Liberdade Provisória (Henrique e Juliano) e Verdinha (Ludmilla)

Experimente: Agnes Nunes, Elana Dara, Fran, Giulia Be e Menos É Mais

Live do ano: Bruno e Marrone, Caetano Veloso, Gusttavo Lima, Ivete Sangalo e Marília Mendonça

Grupo do ano: BaianaSystem, Jota Quest, Lagum, Melim e Sorriso Maroto

Música Chiclete do ano: Braba (Luísa Sonza), Desce Pro Play (PA PA PA) (MC Zaac, Anitta e Tyga), Menina Solta (Giulia Be), Sentadão (Pedro Sampaio, Felipe Original, JS O Mão de Ouro) e Tudo OK (Thiaguinho MT, Mila, JS O Mão de Ouro)

Dupla do ano: Anavitória, Henrique e Juliano, Jorge e Mateus, Sandy e Junior e Zé Neto e Cristiano

Clipe TVZ do ano: Amor de Que (Pabllo Vittar), Asas (Luan Santana), Combatchy (Anitta, Lexa, Luísa Sonza e MC Rebecca), Crise de Saudade (Léo Santana) e Malokera (MC Lan, Skrillex, TroyBoi, Ludmilla e Ty Dolla $ign)

Categorias Superjúri

Revelação do ano: Ana Frango Elétrico, Jup do Bairro e Rosa Neon

Canção do ano: Amor de Que (Pabllo Vittar), Braille (Rico Dalasam e Dinho) e Vem Me Satisfazer (MC Ingryd e DJ Henrique da VK)

Álbum do ano: AmarElo (Emicida), Little Electric Chicken Heart (Ana Frango Elétrico) e Rastilho (Kiko Dinucci)

Clipe do ano

Produtor do ano

Capa do ano

Gravação do ano

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