Percussão do mundo vai a Salvador no final de julho

Grupos da Galícia, Cuba e África, além dos brasileiros, se apresentam em um raro sobrevoo pela produção rítmica atual no festival PercPan

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

19 de julho de 2014 | 02h00

Ela está lá o tempo todo, mesmo antes do nascimento. Os especialistas dizem que a percussão das batidas regulares de um coração de mãe é o primeiro contato musical do ser humano. E de que foi ela a primeira produção sonora organizada, milhares de anos antes de se falar em notas, acordes, harmonias. História à parte, a Bahia tem um festival de três dias para sobrevoar as várias formas de música percussiva. O PercPan, em sua 20.ª edição, será apresentado no próximo final de semana, de sexta a domingo, no Terreiro de Jesus, Centro Histórico de Salvador. É uma espécie de volta às origens. Antes que passasse a ser realizado em outras cidades, acontecia apenas na capital baiana.

A programação tem curadoria de Alê Siqueira, Letieres Leite e José Miguel Wisnik, o que indica critério. A primeira noite será da Percussão – Voz, Corpo e Palavra. E os shows serão da baiana Banda de Boca, do grupo paulistano Barbatuques, dos cubanos do Vocal Sampling e do rapper Mano Brown.

A Banda de Boca e o Barbatuques têm linguagens parecidas. É o uso do corpo em seu limite na produção de sons, ritmo e dança. E Mano Brown, líder dos Racionais, é a palavra como conceito rítmico na força do rap.

Os cubanos do Vocal Sampling trabalham a música vocal percussiva de outra forma. Criam tudo, harmonia, melodia e ritmo, reproduzindo todos os instrumentos. São envolventes por fazerem isso com a música caribenha, e se trata do único grupo cubano nesta frente, desde o final dos anos 1980.

Rene Baños Pascual fala pelo conjunto. “Fazer percussão com vozes é um dos elementos mais importantes para conseguirmos a equivalência da sonoridade de certos grupos instrumentais. A combinação de vozes que fazem sons de altura determinada e sons de altura indeterminada contribui para criarmos um efeito.” O grupo, que já esteve em um Festival de Inverno de Campos do Jordão e em uma edição do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, tem admiração pela música brasileira. Com quem gravariam se pudessem? “Djavan, Lenine, Carlinhos Brown, Gal Costa, Ivan Lins.”

O sábado irá priorizar a percussão feminina e um dos destaques será o grupo da Galícia, o Leilía. Será uma rara oportunidade de ver a cultura secular resgatada por seis mulheres pandereiteiras da região ao norte da Espanha, em que a língua é muito aproximada do português. “É uma cultura de mais de 100 anos. Não há documentos gravados, por isso nos preocupamos em trabalhar essas sonoridades”, diz Ana Rodríguez, integrante do grupo.

Programação:

Sexta (25 de julho)

Banda de Boca (Bahia)

Barbatuques (São Paulo)

Vocal Sampling (Cuba)

Mano Brown (São Paulo)

Sábado (26 de julho)

As Ganhadeiras de Itapuã

(Bahia)

Leilía (Galícia, Espanha)

Sayon Bamba (Guiné, África)

Orquestra Obinrin, com

participação de Mônica Millet (Bahia) e DJ Lisa Bueno (São

Paulo)

Banda Didá (Bahia)

Domingo (27 de julho)

Aguidavi do Jeje (Bahia)

Marcio Victor e Samba

Chula de São Braz (Bahia)

Gabi Guedes (Bahia) e

DJ Cia (SP) com convidados

Marcelo D2 (Rio de Janeiro)

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