PercPan termina em clima de festa

Terminou na madrugada de ontem, no Recife, a oitava edição do Panorama Percussivo Mundial (PercPan). O festival mudou de lugar e de características. Era realizado no palco do Teatro Castro Alves, em Salvador, Bahia. Mudou-se para um palco ao ar livre, na Praça do Marco Zero, centro histórico da capital pernambucana. Nas outras edições, a última noite do festival reunia em cena todos os artistas que haviam participado das duas primeiras, numa espécie de congraçamento de linguagens percussivas das mais diversas correntes, vindas de diferentes cantos do mundo. Desta vez, os cinco espetáculos da terceira noite eram inéditos.Abriram a noite os tambores de Mestre Lua e seu Raízes Percussivas, de uma comunidade pobre da periferia recifense. Encerrou a noite, por volta das 3 horas de domingo, o drum´n´bass do XRS Land Project, do DJ paulistano de Oliveira. Entre um e outro apresentaram-se o músico potiguar radicado em Pernambuco Antúlio Madureira, com sua perspectiva armorial da música popular do Nordeste, o percussionista Marcos Suzano, com um jazz de fusão contemporâneo, articulado e pesado, e o alaudista francês Titi Robin, que tocou música cigana e flamenca.Foi, longe, a melhor noite da edição. A de quinta-feira teve as apresentações estilizadas dos grupos Maracatu Nação Pernambuco e Boi Bumbá, este de Parintins, Amazônia, dos tambores portugueses do Tocá Rufar, contida, e do baiano Carlinhos Brown, espalhafatosa, como de costume. Na sexta-feira apresentou-se o octogenário tocador de rabeca pernambucano Mestre Salu, com o Maracatu Piaba de Ouro e o grupo Sonho da Rabeca, o senegalês Soriba Kouyaté, tocador de kora, instrumento africano de 21 cordas e som originalmente amplificado por uma cabaça (Koyaté une a tradição à tecnologia e transforma o som da kora, que lembra uma harpa, usando pedais eletrônicos) e o grupo argentino Tamboro Mutanta, formado por sete moças que exploram os ritmos da tradição afro-americana. No encerramento, cantou a paulistana Rita Lee.Houve, portanto, surpresas e diversidade, características do PercPan. Perdeu-se dele, no formato ao ar livre, um tanto da concentração da platéia - um público mais heterogêneo do que aquele que o assistia no teatro - e o prazer de ver combinadas, no que foi sempre um emocionante final, as diversas perspectivas de percussão representadas em cena.As três noites foram acompanhadas por um total de 30 mil pessoas, com lotação maior - algo em torno de 15 mil espectadores - na noite da sexta-feira. A entrada era franca, o local agradável - a bela Praça do Marco Zero, que tem como moldura o antigo cais do porto do Recife. Mas esse PercPan teve um espírito diferente daqueles que o antecederam. Foi menos um encontro de tambores e mais uma mostra de música. Não houve troca, intercâmbio. Foi uma grande festa, um tanto longa - cada noite teve pelo menos 4 horas de duração - e um tanto parecida com outras festas pop. Que rumos tomará o PercPan, a próxima edição apontará. O repórter viajou a convite da organização do festival

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