Sergio Castro/Estadão
Sergio Castro/Estadão

'Pensei que fosse mais uma dessas piadas sem graça da internet', diz parceiro musical de Belchior

Cantor e compositor morreu neste sábado, 29, aos 70 anos

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2017 | 12h57

Jorge Mello, ex-sócio e parceiro musical de Belchior, acordou angustiado na manhã deste domingo, 30, quando soube da morte do cantor e compositor cearense. "Não consegui falar com ninguém da família. Pensei que fosse mais uma dessas piadas sem graça da internet. Entrei em contato com gente lá do sul para apurar isso melhor. Estou chapado e sem palavras", afirmou ele por telefone. 

Em entrevista ao Estado em maio do ano passado, Jorge Mello lembrou com carinho da última vez que se encontrou pessoalmente com Belchior. Foi em setembro de 2006, em sua casa, no extremo sul de São Paulo. Bel, como ele carinhosamente o chama, chegou de surpresa naquela gélida manhã de quarta-feira, por volta das 9h30. Conversaram por horas e viraram a madrugada. O músico, já com problemas financeiros, revelou a vontade de morar mais próximo de Jorge. A ideia era transferir os dois estúdios que tinha para a região de Interlagos. Ele, de alguma forma, se sentia sozinho. Queria estar junto das pessoas que amava. Jorge parecia a melhor opção para aquele momento. “Quando ele foi embora, ficou acertado que um arquiteto viria até aqui. Achei maravilhosa a ideia de alugar o espaço para o Belchior. Poucos dias depois, o empresário dele me ligou. Disse que o Bel não tinha comparecido a um show em Minas Gerais”, lembra o ex-sócio e amigo.

Alguns meses se passaram quando Jorge Mello atendeu o telefone de casa. Era Ângela, então mulher de Belchior. Ela afirmou ao amigo que o cantor e compositor não aparecia em casa há alguns meses. Ângela ainda pediu dinheiro a Jorge para pagar o convênio médico da filha do casal. “Liguei para a família dele em Fortaleza. A mãe, Dona Dolores, disse que tinha muita gente procurando o Belchior e que ela não via o filho há seis meses. Falei para a mulher e a mãe buscarem um advogado. Tinha a questão da pensão alimentícia dos filhos. Os aluguéis dos escritórios também estavam atrasados e os funcionários começaram a me procurar. Foi então que comecei a me preocupar”, lembra Jorge.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.