Pennywise volta ao País com suas letras de protesto político

Em 1987, Jello Biafra, líder dos DeadKennedys, disse a famosa frase "o punk não está morto, masmerece morrer". Biafra, que como Frank Zappa chegou a sercandidato alternativo à Presidência dos Estados Unidos, estavaabismado com a cara-de-pau de certos imitadores do punk, comoBlink 182, e a indecência fashion de bandas do punk pop. Felizmente, não dá para colocar o Pennywise como umadessas decepções porque o grupo nem é punk latu sensu nemtampouco é uma dessas bandas de decoração. O quartetocaliforniano Pennywise esteve pela última vez no País em 2004,no Anhembi, ao lado do Bad Religion. Seu retorno, agora paraquatro apresentações, é sempre saudado com entusiasmo (como o doBad Religion, que está vindo pela sexta vez ao País). "Pennywise está voltando ao adorável Brasil", diz umpost da banda em seu website. Não tão adorável nos últimostempos, mas valeu o elogio. Na quinta-feira, 29, o Pennywise tocaria noCuritiba Master Hall. Volta com a formação clássica, que veio em2004: Jim Lindberg (vocais), Fletcher Dragge (guitarra), RandyBradbury (baixo), Byron McKin (bateria). Com oito discos gravados, a banda surgida em HermosaBeach é um dos grupos da chamada "geração Epitaph". Explica-se:Epitaph foi um selo criado pelo músico Brett Gurewitz, entre ofim dos anos 80 e começo dos 90, para lançar as bandas de rockque não eram acolhidas pelo mercadão. Dali, saíram grupos comoVandals, Offspring e o próprio Pennywise. A banda chega com um álbum relativamente batido, TheFuse, lançado em 2005, seguindo a mesma fórmula: riffs rápidose pesados, letras de protesto político e bordões pisados erepisados contra o sistema. A origem e o estilo às vezes osempurraram para o rótulo skatecore, ou para as trilhas sonoraspraieiras, o que não é coisa ruim.Fãs dos Beach BoysA banda traz histórias trágicas em sua breve trajetória. Em 1996 seu baixista (e membro fundador do grupo) Jason Matthew Thirskmatou-se na Califórnia. No ano seguinte, ao lançar o disco FullCircle (1997), os remanescentes fizeram uma homenagem ao amigo,enfeitada por uma citação de Abraham Lincoln: "A melhor parte davida de cada um de nós consiste nas nossas amizades." Sua militância política, desde então, tem a pretensão deser efetiva. Ao lançarem Land of the Free? (2001), o cantorJim Lindberg definiu o álbum da seguinte maneira: "Uma trilhasonora para ativistas políticos do mundo todo."Mas, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em 2004, JimLindberg disse que suas maiores influências não vinhampropriamente das bandas do movimento punk, nem de seus discursos, mas de uma fonte muito mais melodiosa: os Beach Boys. "Quandoeu era moleque, meus pais me deram um disco deles, e nem eraPet Sounds (disco considerado revolucionário da banda). Era omais pop, Endless Summer. Eu adorava aquele disco. Só vim aouvir Black Sabbath e Led Zeppelin muito mais tarde", disseLindberg, também surfista. Suas canções podem servir para dois mundos,eventualmente. É o caso de Fucking Authority, que diz coisassobre corrupção policial que arrepiariam os cabelos dosroqueiros que ficam em cima do muro. "Essa música é direta: foiescrita para os tiras corruptos da polícia de Los Angeles. Onível de corrupção lá é de deixar boquiaberto. A música é umgrito contra a corrupção das autoridades e, à sua maneira, é umacanção patriótica", diz. Bandas assim não arrebanham multidões no seu encalço,mas conseguem manter uma audiência leal e bem-disposta emqualquer recanto do mundo. E hoje é a vez de seus súditos locais. Pennywise. Credicard Hall (7 mil lugares). Avenida das NaçõesUnidas, 17.955, telefone (11) 6846-6010. Hoje, 22 horas. De R$90 a R$ 240

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