Penderecki está de volta, como maestro e compositor

Artista polonês rege na terça e na quarta seleção de obras suas e de autores como Dvorak e Shostakovich

João Luiz Sampaio, de O Estado de S. Paulo,

02 de junho de 2008 | 15h17

O compositor polonês Krysztoff Penderecki é daqueles convidados que gostamos sempre de ter em nossa casa. Nos últimos anos, ele esteve no Brasil algumas vezes, regendo a Osesp e a Sinfônica da Petrobrás em concertos dedicados a obras suas. Desta vez, no entanto, ele vem também mostrar uma outra faceta - nas apresentações que faz na terça-feira, 3, e na quarta, 4, no Teatro Cultura Artística com a Orquestra do Festival de Vilnius, ele rege, além de sua Sinfonietta per Archi, obras de outros autores: Shostakovich, Dvorak, Mozart e Tchaikovsky. Penderecki é um dos mais célebres e polêmicos nomes da composição do século 20. Em seus primeiros anos de trabalho, foi ponta de lança da vanguarda européia, ajudando a transformar a própria noção de música que tínhamos. No fim dos anos 60, no entanto, comprou briga com os colegas ao voltar-se à melodia, à tonalidade. Entre passado e futuro, o presente hoje nos permite ver que ele não se entregou de cabeça nem à inovação nem à tradição - saiu em busca de uma terceira via, que unisse as duas coisas, tendo como único parâmetro seu estilo pessoal, que ele pretendia descobrir exatamente qual era. Nesse sentido, adiantou a tendência que hoje, com algumas exceções, virou realidade concreta no dia-a-dia dos compositores mundo afora. É pela utilização da estética não como dogma mas, antes, como instrumento que Penderecki ganhou seu espaço como autor, juntamente, claro à sua atuação política, ou melhor, no comentário a questões como a Guerra Fria que povoam algumas de suas principais criações, como o Réquiem Polonês, escrito em homenagem ao líder do movimento Solidariedade Lech Walesa. Já sua Sinfonietta per Archi, escrita em 1992, é um retorno às formas clássicas e, escrita para orquestra de cordas, se relaciona com as demais obras escolhidas para os programas da turnê latino-americana: na terça, a Sinfonia de Câmara, de Shostakovich, e a Serenada para Cordas, de Dvorak; na quarta, o Divertimento KV 137, de Mozart, e Souvenir de Florence, de Tchaikovsky. Em São Paulo, Penderecki rege a Orquestra do Festival de Vilnius, capital da Lituânia. O grupo é resultado do trabalho do violista russo Yuri Bashmet, que criou o festival nos anos 90, agitando a cena cultural do país e atraindo músicos de outros locais da Europa, interessados na sonoridade dos instrumentos daquela região. O conjunto em si foi criado em 2003, com proposta de explorar uma ampla gama de repertório, e vários de seus músicos já integraram orquestras como a Sinfônica Nacional da Lituânia, a Sinfônica da Ópera de Vilnius e a Kremerata Baltica, grupo de câmara criado e dirigido pelo violinista russo Gidon Kremer.

Tudo o que sabemos sobre:
Krysztoff Penderecki

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.