Jonas Tucci/Divulgação
Jonas Tucci/Divulgação

Pélico lança terceiro disco e mescla ritmos do pop ao samba

Assista com exclusividade ao clipe de 'Você Pensa Que Me Engana'

Marina Vaz, O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 03h00

Desde menino, Pélico gosta de contar histórias. De pensamentos jogados, como num diário, nasceram as primeiras composições. Ele segue. E, toda vez que uma história não sai da cabeça para o papel, dá angústia. Suas ideias mais recentes estão em Euforia, disco que o cantor e compositor paulistano lança oficialmente daqui a uma semana (com download gratuito pelo site www.pelico.com.br). Mas, hoje, já dá para conferir, com exclusividade na TV Estadão, o clipe de uma das canções do álbum: Você Pensa Que Me Engana

O novo trabalho percorre sonoridades bem diferentes de seus anteriores – O Último Dia de um Homem Sem Juízo (2008) e Que Isso Fique Entre Nós (2011). Não que se renovar seja uma cobrança. “É uma necessidade, e não uma preocupação artística de querer mostrar algo novo; é uma questão muito mais existencial do que musical”, observa o artista durante encontro com o Estado, no estúdio em que gravou o CD. 

O pop, com um suave toque roqueiro, continua presente em várias composições. Só que, agora, divide espaço com ritmos latinos, africanos, brasileiros. Um exemplo é justamente Você Pensa Que Me Engana, um inesperado samba. A faixa tem participação de Marcelo Cabral tocando violão de sete cordas, e de Rodrigo Campos no cavaquinho. E tem uma história curiosa, envolvendo um amigo de Pélico, o também cantor e compositor Filipe Catto: “Desde que a gente se conheceu, ele dizia que eu era um sambista, só não tinha descoberto ainda. Apesar de terem outra roupagem, ele via isso nas minhas músicas, nos meus temas, no jeito de eu construir letra e melodia. Quando fiz essa música e percebi que era um samba, logo pensei ‘não é que o Filipe tinha razão?’.”


Outro bom estranhamento, que começa já pelo título, é Sozinhar-me. O termo foi retirado do livro Terra Sonâmbula, do moçambicano Mia Couto, um dos escritores favoritos de Pélico. Batidas que remetem a ritmos africanos e baianos servem de apoio para contar o percurso de uma “menina de Moçambique, que traz e me leva a paz”. O verbo, um neologismo, é usado para descrever não uma solidão forçada e dolorosa, mas, sim, um deixar-se sozinho. 

“A solidão é muito demonizada, vista como coisa de gente depressiva. Essa música fala da solidão de uma forma muito leve. Minha intenção era mostrar que existe prazer em ficar só”, analisa. Tanto existe que, para fazer o Euforia, Pélico fez três viagens a lugares isolados. 

Uma vertente mais dançante aparece em faixas como Sobrenatural, que abre o disco, e O Meu Amor Mora no Rio. Mas também há espaço para momentos intimistas, como é o caso de Escrevo (“Escrevo pra me livrar/ do tempo/ do pouco/ do medo/ do mesmo/ e do que nunca me esqueço”). Nesta canção, a princípio, estão em evidência os versos. Depois, os instrumentos ganham mais e mais força, com uma grande banda que inclui sax alto, sax barítono, flauta e philicorda – e que confere a ela ares solenes. 

Assista ao clipe de Você Pensa Que Me Engana, com exclusividade na TV Estadão:

Os saxofones, assim como os sintetizadores, marcam presença em várias das 14 faixas. A seleção inclui duas versões para a música Euforia, que empresta o nome ao disco – uma mais pop e outra acústica. 

Essa oscilação entre momentos expansivos e introspectivos é uma das principais diferenças em relação ao trabalho anterior de Pélico, cujo foco estava nas relações humanas, com seus amores e desamores. “Acho o Euforia muito mais equilibrado emocionalmente, porque tem momentos de alegria, momentos mais reflexivos – como é a vida. Porque a gente não é sempre eufórico ou sempre triste.”

Uma das primeiras músicas compostas para o novo álbum foi feita em 2012, e é uma homenagem a Tom Zé. Naquele ano, o tropicalista, depois de ouvir (e gostar de) Que Isso Fique Entre Nós, convidou o cantor para fazer uma participação em seu Tropicália Lixo Lógico, ao lado de nomes como Emicida e Mallu Magalhães.

“Eu queria demonstrar, de alguma forma, minha alegria em fazer parte do disco dele. Então, decidi fazer uma música falando com ele sobre amor, como se fôssemos velhos amigos”, conta. Assim nasceu Meu Amigo Zé, a quem ele pede: “Me ensina a ser feliz/ e a cantar no seu tom”. Para acompanhar a voz de Pélico, apenas um violoncelo tocado pelo músico grego Dimos Goudaroulis. 

Euforia traz, na capa, o rosto do artista clicado pelo fotógrafo Bob Wolfenson. O projeto gráfico é de Filipe Catto, que, além de cantor, é designer. 

O CD teve produção de Jesus Sanchez – que já tinha comandado os dois primeiros trabalhos de Pélico – e a banda inclui outros músicos/amigos, como Regis Damasceno (guitarra e baixo) e Tony Berchmans (piano rhodes). O show de lançamento em São Paulo está previsto para o mês de maio, no Sesc Pompeia.

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