Eliot Lee Hazel
Eliot Lee Hazel

Pela primeira vez no Brasil, Death Cab For Cutie faz da dor um sentimento doce

Banda norte-americana é atração do Popload Festival, ao lado de Lorde, Blondie, MGMT, At The Drive In, Mallu Magalhães, Tim Bernardes e Letrux

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2018 | 06h01

Naquele clima de verão californiano eterno da série The O.C. (cujo título em português ganhou o acréscimo de Um Estranho no Paraíso), no ar de 2003 a 2007, o jovem Seth Cohen, interpretado por Adam Brody, atraía uma legião de fãs tão fiéis que, anos mais tarde, em 2013, o rapaz ainda era lembrado como “o rapaz ideal” – em 2013, por exemplo, o site Buzzfeed “37 razões pelas quais Seth Cohen é o namorado perfeito”.

E entre as qualidades do rapaz, destacava-se uma em especial (além do romantismo, da candura, etc): o amor dele por uma banda indie daquele tipo “só eu conheço e por isso eles são tão incríveis” chamada Death Cab For Cutie

Surgida alguns poucos anos antes, em 1997, como um projeto solo do vocalista e guitarrista Ben Gibbard, mas logo transformado em banda, o Death Cab For Cutie tinha nos versos de desamor besuntados por uma guitarra melancólica seu melhor apelo. Também contou a favor da banda o fato de lançar, no mesmo ano do início de The O.C., o melhor álbum da carreira deles (em escolha do proprio Gibbard) chamado Transatlanticism.

Somadas, exposição da TV e a qualidade do álbum, fizeram o Death Cab For Cutie deixar de ser a pequena banda favorita do personagem Seth Cohen (virou queridinha por tantos), entrou para uma grande gravadora, a Atlantic Records, e vendeu suas boas centenas de milhares de álbuns. 

O Death Cab For Cutie que chega ao Brasil pela primeira vez como a mais fofa das atrações gringas desta edição do Popload Festival, mas também vive um momento de transformação próprio. Na apresentação a ser realizada no dia 15 de novembro, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o grupo exibirá sua versão transformada, criada a partir do álbum mais recente deles, Thank You for Today, um álbum feito a partir de uma reconstrução.

Da banda, por causa da saída de um dos mais importantes integrantes da trupe, o guitarrista e também produtor dos álbuns Chris Walla. E pessoal, para Gibbard, ao deixar o universo de Hollywood que o engoliu anos antes ao se casar com a atriz (e também cantora) Zooey Deschanel – ele se reconstruiu, parou de beber álcool, iniciou o hábito de correr maratonas e se casou com a fotógrafa e empresária Rachel Demy, em 2016. 

“O que Ben (Gibbard) escreve nessas músicas vem para ele nas suas vivências”, explica Nick Harmer, baixista da banda, integrante do Death Cab desde 1997, quando o projeto deixou de ser uma empreitada solo de Gibbard e participou de todos os álbuns, desde o cultuado Something About Airplanes (1998).

“Então, é importante que a gente viva um pouco, entre as turnês, entende?” Harmer coloca, em palavras, o que o número de apresentações do grupo por ano já indicava sobre “viver a vida”. Nos anos de lançamento de disco, o número de performances ao vivo passa da centena. Depois, minguam: no ano passado, foram 11, por exemplo, em 2018, somam 38. 

Thank You for Today sucede Kintsugi (2015), disco cujo título indica esse momento de transição, de transformar o quebrado no novo: trata-se também do nome de uma técnica japonesa que une cacos de objetos de porcelana quebrados (vasos, pratos, copos) com uma cola dourada. “Foi um processo de transição importante”, relembra o baixista.

E o resultado dessa “reforma” não é exatamente igual ao original – e os fios de ouro a contornar os antigos cacos deixam o objeto ainda mais único. E assim é o Death Cab For Cutie de 2018, já diferente da banda alçada à popularidade entre o público jovem interessado em descobrir “a nova próxima sensação” no início da década passada.

A maturidade chega em forma de canções (um pouco) menos melancólicas e, principalmente, com maior variedade rítmica – afinal, diferentemente do personagem de The O.C., preso no mundo da ficção, é preciso seguir o mundo exige mudança, nos quebra, mas também oferece espaço para a reconstrução. 

Shows brasileiros tem disco do ano e apresentação única 

“Conheço o Tim (Bernardes) há anos”, começou a explicar Mallu Magalhães, nas vésperas da última passagem da cantora que atualmente mora em Portugal, em agosto deste ano, sobre a apresentação que ela realizará ao lado do também guitarrista e vocalista do trio O Terno, na tarde de 15 de novembro, no Popload Festival, em São Paulo. O show foi anunciado como uma performance em conjunto dos artistas. “Seremos nós dois juntos no palco”, confirma Mallu. 

Ele tem 27 anos, ela, um ano mais nova, e ambos estudaram juntos no colégio. Também são dos mais importantes compositores dessa nova geração “sub-30”, que emprestam canções para álbuns de grandes artistas, como Gal Costa. Tim tem quatro discos lançados (três pelo Terno, um, chamado Recomeçar, solo), o mesmo número de álbuns assinados por Mallu, que surgiu como um fenômeno da internet, cujo currículo ainda inclui um disco com a Banda do Mar, integrada por ela, Marcelo Camelo e o baterista Fred Ferreira. 

Já a outra apresentação brasileira do festival é de Letícia Novaes, cujo nome artístico agora é Letrux, dona de um dos mais bem votados discos do ano passado, chamado Letrux em Noite de Climão, um disco com levada oitentista e canções sobre desilusões e descobertas. 

POPLOAD FESTIVAL 

Memorial da América Latina. Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664.

Dia 15 de novembro (5ª), a partir de 12h. R$ 180/R$ 750

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