Pedro Luis apresenta o batuque da ´Parede´

Homens nus e sem-vergonha fazem questão de pular na frente de quatro mil pessoas. Não fisicamente nus, como no dia em que apareceram como canibais pervertidos com as nádegas ao alto no clipe de Cai o no Suingue, mas musicalmente despidos. É o batuque primitivo e sem uma peça de roupas de um grupo liderado pelo carioca Pedro Luis - febre pré, durante e pós Carnaval do Rio de Janeiro - que está sondando a noite de São Paulo. Seu novo grupo Monobloco foi um acidente de percurso que tem se tornado mais procurado que o trabalho que faz há mais de cinco anos à frente da Parede. É, na essência do termo, um fenômeno popular. Se conseguirá o mesmo impacto em São Paulo, Pedro terá de hoje ao dia 30 para saber. Nas quartas-feiras do mês, tentará fazer no Blen Blen, em Pinheiros, o mesmo ruído que fez por semanas no Leblon. Impacto é o termo. Pedro Luis e 21 percussionistas fazem baile usando a estética nua e crua da escola de samba. Em outras palavras, tiram água de pedra. Não há, além de um cavaquinho, instrumentos harmônicos como baixo, guitarra ou teclado, que poderiam sustentar os ritmistas e as vozes. Mas ainda assim o repertório não se restringe a enredos. "Escolhemos músicas que possam fazer nossas noites virar bailes, mas nossa inspiração sempre foram as escolas de samba", diz Pedro Luís. O baile de batucada tem Imunização Racional, mais conhecida como Que Beleza, de Tim Maia. Dos Paralamas do Sucesso aparece Alagados, de Jorge Ben Jor há Taj Mahal e Fio Maravilha, dos Titãs Diversão, de Chico Science A Praieira e ainda uma sessão marchinhas carnavalescas, com Cabeleira do Zezé, Allah-Lá-Ô e Mulata Yê-Yê-Yê. Já que os integrantes da Parede estão entre os 21 percussionistas do Monobloco, a temporada do Blen Blen será marcada por um esquema do tipo dois em um. Além do bailão do Mono, a Parede irá mostrar músicas do disco Zona e Progresso, como Batalha Naval, Mão e Luva, Saudação a Toco Preto e Nega de Obaluaê. E de outros discos aparecerão as mais conhecidas, como Pena de Vida, Caio no Suingue, Tudo Vale a Pena e Rap do Real. Pedro Luís tem seu nome bem mais ventilado no Rio de Janeiro. Na música há vinte anos, cresceu nas ruas da Tijuca e veio de uma família musical. Ganhou dinheiro primeiro com aulas de violão antes de virar compositor. Mas um dia ficou duro, veio para São Paulo e encarou uma fase que não lhe rende grandes recordações. Na companhia de um cunhado, Pedro fez tudo o que foi biscate, tirando naturalmente aqueles em que as pessoas vestem-se com roupas sensuais e ficam nas esquinas esperando clientes. Ganhava a vida ora como montador de móveis em apartamento de madame, ora como recenseador do IBGE. A música veio logo salvá-lo e tirar seus pudores.Pedro Luis e A Parede e Monobloco - Hoje, às 23h. Blen Blen: Rua Inácio Pereira da Rocha, 520. Tel.: 3815-4999. Ingresso: R$ 20

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