Marcos Hermes/Estadão
Marcos Hermes/Estadão

Peça no Rio recupera vida e carreira de Cassia Eller

Cantora que morreu em 2001 é retratada como amorosa, tímida e bem-humorada

Roberta Pennafort, Rio - O Estado de S. Paulo

29 de maio de 2014 | 19h26

De camiseta larga, bermuda de surfista, chinelos e devorando uma coxinha de galinha, ela chega para a entrevista como quem caminha para a cadeira elétrica. Olha para baixo, se esquiva, dá respostas quase inaudíveis. Horas depois, surge transfigurada no palco soltando a voz potente, inacreditavelmente parecida com a de sua musa: Cássia Eller (1962-2001).

Tacy de Campos floresce ao microfone e ao violão tal qual acontecia com Cássia, um "bicho do mato" de presença artística magnética. Pinta de menina-moleque, a cantora de barzinho curitibana de 24 anos é a protagonista do musical sobre a "vida, louca vida" dela, que estreia nesta sexta, 30, no CCBB do Rio.

Apesar de jamais ter atuado e de demonstrar um acanhamento assustador para quem se propõe a se apresentar ao público, Tacy superou mais de mil candidatos ao papel. Não chegou a se inscrever - foi convidada pela produtora do elenco, que viu um vídeo seu no YouTube.

Ela pegou um ônibus e chegou ao Rio no dia da audição. "Estava com muita vergonha, só queria sair dali", conta Tacy, que há dois anos formou a banda Os Marginais, com a qual faz um tributo a Cássia. "Achei estranho quando me ligaram. Cantar é o que eu gosto de fazer. Atuar não é tanto a minha praia, mas estou começando a entrar na onda."

Tacy tinha 11 anos quando Cássia morreu. Quando cantou para a banca Por Enquanto, Come Together e Partido Alto, tudo fez sentido para os diretores João Fonseca e Vinícius Arneiro, a autora da peça Patrícia Andrade, o produtor Gustavo Nunes e a diretora musical Lan Lan, da banda de Cássia. "Tacy não tentou imitar, tem o espírito dela", acredita Fonseca.

São 34 canções em duas horas de espetáculo: ECT, Malandragem, Relicário, Allstar, Segundo Sol, Com Você Meu Mundo Ficaria Completo... Mulher de Cássia por 14 anos, Maria Eugênia Martins aprovou o texto sem censurar nada, nem o uso (por vezes, abuso) de maconha, cocaína e álcool, nem seus ciúmes das escapulidas de Cássia ("você é pra eternidade", ela se redimia). / R.P.

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