Pearl Jam: carro velho com motor novo e a mesma estrada

Entre fanáticos e críticos do planeta rock, os comentários mais comuns a respeito do novo álbum do Pearl Jam foram coisas do tipo: "o melhor em mais de uma década", "a volta à velha forma", "o retorno à força de Ten", "não é Vs. mas..." Isto não faz de Pearl Jam (Sony/BMG) um item imprescindível para quem não morre de amores pelo último suspiro do grunge. Não que o álbum "do abacate" seja ruim (ele até melhora aos ouvidos de quem se dispuser a ouvir mais de uma vez), mas é para fã de primeira hora. Para o guitarrista e vocalista Eddie Vedder, a atual fase se resume na imagem de um "carro velho com motor novo". Só que, para não correr muito risco, eles percorrem a mesma estrada. É natural que com 15 anos de carreira discográfica, o estilo esteja cristalizado e ninguém tem obrigação de apontar nova tendência a cada CD. A produção é digna do tamanho da banda, o bizarro projeto visual tem lá seu atrativo, o rock raçudo com riffs contundentes e baladas como as bonitas Parachutes e Gone estão ali, na fórmula certinha para comover estádios. Nem é isso o que vem ao caso. A carência principal é mesmo de boas melodias. As letras também martelam em protestos anti-Bush e Vedder, cantando como se tivesse uma batata quente na boca, já não tem mais aquela exuberância vocal. Enjoa.

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