Pearl Jam amadurece em álbum soturno

Com dez anos de carreira, a única banda sobrevivente do movimento grunge, surgido em Seattle no início dos anos 90, está de volta à carga. Saiu nos Estados Unidos dia 16, e já chegou às lojas brasileiras, Binaural, sexto álbum dos norte-americanos do Pearl Jam. Como não podia deixar de ser, trata-se de um disco bem diferente do que o quinteto norte-americano fez no passado. É soturno, denso, melancólico e técnico. Mistura psicodelia anos 60 com compassos compostos, música popular americana e punk rock. Uma espécie de "dark side" da banda. É também um disco que oscila entre muitos bons e alguns maus momentos. Vale dizer que Binaural é uma prova de que o quinteto continua a ter muito o que oferecer à música pop. Não é mais aquela banda suja e melódica, passional e sensitiva de dez anos atrás. Evoluiu e, junto a seu público, deixou para trás a adolescência. O que de forma alguma quer dizer que perdeu a originalidade e o caráter contestador. Simplesmente descobriu o caminho que deve seguir. Mudou o estilo mas não se rendeu à música eletrônica, como fizeram inúmeras bandas contemporâneas. O som está mais "cabeça", e os instrumentos, mais bem tocados. Nesse sentido, o novo rebento não deixa de ser seqüência de Yield, o fabuloso álbum anterior do conjunto. É também o disco que consagra Eddie Vedder como o melhor vocalista do cenário pop-rock mundial. Controvérsias à parte, o "voz de veludo" deixou os gritos de lado - esgoela apenas quando necessário -, para investir na interpretação das canções. Cada música revela um diferente vocalista, que, se não é dono de um grande alcance vocal, compensa com a sinceridade de sua voz. Infelizmente, Binaural não chega a ser um disco bom por inteiro como Ten - estréia da banda em 1990 - e Yield. Ao lado de boas canções, como Breakerfall, Gods´Dice, Evacuation, Nothig as it Seems e Grievance, temos que engolir as insossas e desnecessárias Of the Girl, Sleight of Hand e Parting Ways. Talvez seja o caso de apertar o botão program no console de seu aparelho de som e excluir as faixas 8, 11 e 13. Pronto, você terá um disco de dez faixas que pode ser considerado um dos melhores da carreira vitoriosa do Pearl Jam.

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