Pavarotti se despede da ópera

Os aplausos e "bravos" duraram 11 minutos. Do palco do MetropolitanOpera, ao final da Tosca, de Puccini, o tenor Luciano Pavarotti agradecia aos fãs, emocionado, ora levando as mãos ao peito, ora curvando-se, respeitosamente, ou mandando beijos e acenando. A platéia do Met, em Nova York, assistiu no sábado à última apresentação do tenor, que anunciou sua despedida um dia antes.Por toda a noite, Pavarotti parecia lutar para manter a emoção sob controle. Ao entrar em cena, no primeiro ato, foi recebido com 35 segundos de aplausos. Desde 1996, quando a soprano Leonie Rysanek deu adeus sos palcos, o Met não assistia a uma despedida tão intensa. A instituição, via de regra econômica, dedicou um encarte especial à apresentação da noite com 20 páginas sobre a carreira do cantor italiano. A ópera de Puccini foi sua 379.ª apresentação com a companhia, desde sua estréia em 1968 com La Boheme, do mesmo autor.Questionado na sexta por que se aposentava da ópera, o tenor de 68 anos - que ainda tem planos para concertos até completar os 70 - disse: "acho que está na hora". A performance de sábado, de certa forma, lhe deu razão. Nos agudos, o cantor perdia fôlego e potência. Precisou de assistência para subir e descer do palco e de muita água para não deixar a garganta seca.Não foi nenhuma supresa, porém. As últimas apresentações notáveis do cantor, do ponto de vista técnico, já datam de 1997 e 98, durante sua temporada com Turandot. E, de qualquer forma, é o conjunto de sua carreira que impressiona. Ao longo de 43 anos dedicados ao canto lírico, o italiano tornou-se um dos mais conhecidos e bem sucedidos tenores da história. "Tive uma vida cheia, uma vida alegre", dizia na véspera da apresentação. "E agradeço a Deus por isto, todo dia. Sou um homem de sorte."

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