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Paulo Vanzolini diz que Simonal se gabava de ser 'dedo-duro'

Em entrevista publicada na TV Estadão, compositor acusa músico que teria entregue pessoas aos militares

da Redação,

04 Junho 2009 | 23h22

O compositor Paulo Vanzolini acusou em entrevista ao crítico Luiz Carlos Merten e ao diretor Ricardo Dias que o músico Wilson Simonal "se gabava de ser dedo-duro" da ditadura. "Ele era o maior dedo duro mesmo. Não só era como se gabava de ser. "Na frente de muitos amigos dizia 'eu entreguei muita gente boa'. Vanzolini critica o documentário  "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", lançado recentemente. "Essa recuperação que estão fazendo do Simonal é falsa. Ele era dedo-duro mesmo", completou.

Assista à entrevista de Paulo Vanzolini

 

Pouco antes de morrer, aos 62 anos, doente, magoado e esquecido, Wilson Simonal (1938- 2000) dizia que ainda sonhava com o reconhecimento em vida por suas qualidades artísticas, mas já era tarde demais. O que ficou mais forte na memória do público que não o viu cantar foi a controvertida imagem de delator.

 

O contador Raphael Viviani foi o pivô do episódio que marcou a queda vertiginosa de Simonal, um ídolo que no auge do sucesso concorria em popularidade com Roberto Carlos. 

 

Acusado pelo cantor de tê-lo desfalcado, Viviani foi demitido e moveu uma ação trabalhista contra Simonal. O troco veio em forma de tortura, praticada, entre outros, por um segurança do cantor (como ele mesmo revelou) ligado ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Processado por mais esse episódio, Simonal levou como testemunha aquele mesmo policial, Mário Borges, que o apontou como colaborador do Dops. Depois disso, o ídolo desmoronou.

 

A bola de neve foi aumentando à medida em que órgãos de imprensa, como "O Pasquim", aceitaram tal informação e começaram uma caça às bruxas contra o artista, que perdeu prestígio, amigos e foi perseguido pelo resto da vida.

 

A surra dada em Viviani rendeu ao cantor, em 1972 uma condenação a mais de 5 anos de prisão, que cumpriu em liberdade. Mas só em 2003 a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) o reabilitou simbolicamente, após uma investigação do caso, a pedido da família. Um documento da Secretaria Nacional de Direitos Humanos revelou que não havia nenhuma prova contra Simonal. Mas já era tarde demais, o cantor morrera havia três anos.

 

(Com O Estado de S. Paulo)

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