Isabella Pinheiro
Isabella Pinheiro

Paulo Ricardo aposta em elementos eletrônicos e apresenta nova música em show

O cantor se apresenta nesta sexta-feira, 15, e no sábado, 16, em São Paulo

Pedro Rocha, Especial para o Estado

15 de fevereiro de 2019 | 14h04

Com mais de 30 anos de carreira, desde que surgiu com o grupo RPM, o cantor Paulo Ricardo diz se sentir como no início. “Sinto como se estivesse começando, porque existe toda uma nova cena e sou uma pessoa curiosa, estou sempre de olho em tudo que está rolando”, diz ao falar com o Estado, por telefone. 

Aos 56 anos, Paulo Ricardo divulgou no final do ano passado uma nova canção, Ela Chegou, que conta com fortes elementos de música eletrônica. Em São Paulo, a faixa vai ser apresentada ao vivo em dois shows que o cantor realiza no final de semana, na sexta-feira, 15, e no sábado, 16, no Teatro J. Safra, às 21h30.

As apresentações fazem parte da turnê Sex on the Beach, que já foi gravada para um DVD, que deve ser lançado em breve. O show reúne sucessos de todas as fases de sua carreira, tanto no RPM quanto solo. Mas para o público em São Paulo, o repertório deve ser especial. “Não me apresento em São Paulo há muito tempo e um show em teatro permite um conforto maior, um pouco mais de calma para músicas mais lentas”, ele adianta. “Vou rever algumas canções do meu disco acústico, que raramente faço para shows com o público de pé.”

O elemento eletrônico, apesar de não ser uma novidade em seus shows, ganha mais força com Ela Chegou. O show conta com uma banda formada por Tuco Marcondes na guitarra, Rubinho Cabrera no teclado e Guga na percussão, numa formação mais tradicional, porém adotando as novidades tecnológicas, com uma base programada eletronicamente. “A gente incorpora à banda as bases eletrônicas”, explica. “Mas apesar de estar dando esse destaque para a parte eletrônica, é inevitável que minha formação no rock and roll venha à tona.”

Para o show, além de seus sucessos solo e com o RPM, que ele promete executar como na composição original, Paulo Ricardo assegura que cantará também músicas de artistas que admira. “Aproveitando o filme Bohemian Rhapsody, vou fazer uma pequena homenagem a Freddie Mercury com uma versão de Somebody to Love, do Queen”, revela. “E também uma versão de Tempo Não Para, do Cazuza.”

Novos projetos

A versão para o clássico de Cazuza, segundo ele, faz parte de um novo projeto, em que pretende regravar algumas canções do seu velho amigo, a quem conheceu quando tinha apenas 18 anos de idade. “Acho que as músicas dele, apesar de continuarem vivas, precisam de um update, num sentido tecnológico mesmo”, esclare. “Uma versão absolutamente contemporânea, com um tipo de sonoridade que ele faria hoje, se estivesse vivo.”

Ao mesmo tempo, Paulo Ricardo planeja um novo disco de inéditas, sucessor de Novo Álbum (2016). Segundo ele, a sonoridade deve ser parecida com a de Ela Chegou. “Com esse novo single, atingi a sonoridade que estava procurando”, afirma. “Acho que me identifiquei com esse nicho, as outras músicas devem seguir um estilo parecido.”

Para ele, não é estranho inserir a música eletrônica em seu trabalho. “Não acho que há alguma contradição na minha discografia com esse elemento. Meu último álbum tem coisas bem eletrônicas”, acredita. “O RPM é classificado e reconhecido como uma banda do movimento rock, mas sempre fomos mais do techno e do pop. Fui um adolescente que curtiu o rock quando era ainda um embrião dos sintetizadores.”

Polêmica com o RPM

Desde 2017, Paulo Ricardo e os outros membros originais da banda RPM, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni, estão numa disputa judicial pela marca do grupo. Naquele ano, Paulo Ricardo anunciou sua saída e os outros três quiseram seguir com a banda sem ele, afirmando que haviam contratos firmados que precisavam ser cumpridos em 2017.

Os membros do RPM pedem que Paulo Ricardo ceda o uso da marca, já que ele não quer continuar na banda. Os três seguem se apresentando com o nome RPM, após algumas decisões judiciais favoráveis, mas o processo ainda não está encerrado.

“Não haveria a necessidade de um processo, não estamos falando de uma empresa, é uma banda de rock que quatro amigos fundaram há 30 anos”, diz Paulo Ricardo sobre o processo. “A coisa parte para um lado agressivo, desnecessário. Para evitar confusão, que eu montasse um RPM sem eles, nós assinamos um contrato e ficou decidido que só se poderia usar a marca se fossemos os quatro integrantes originais”, continua. “Se eles querem continuar a trabalhar, deveriam ter me procurado na boa para conversar.”

Em entrevista ao programa Morning Show, da rádio Jovem Pan, no final de janeiro, os outros três membros do RPM afirmaram que foi feito um acordo em 2007 dividindo a posse das marcas entre os quatro, com 25% para cada um. Luiz Schiavon afirmou, na entrevista, que Paulo Ricardo foi procurado por eles, mas não houve uma resposta. Os quatro disseram ainda que estão disponíveis para conversar. “Quer trocar uma ideia? Meu número é o mesmo há 30 anos”, falou Schiavon.

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