Paulo Moura, um dos maiores clarinetistas do Brasil

Músico de 77 anos morreu enquanto realizava tratamento para curar um linfoma (câncer no sistema linfático)

13 Julho 2010 | 15h41

Paulo Moura ganhou um Grammy por 'Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas'. Foto: Monalisa Lins/AE

 

 

SÃO PAULO -  O clarinetista e saxofonista, Paulo Moura, de 77 anos, estava internado desde o último dia 4 na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio, e realizava tratamento para tentar curar um linfoma (câncer no sistema linfático). Morreu às 23h30 desta segunda-feira e o velório do corpo do músico será realizado no Salão Nobre do Teatro Carlos Gomes, nesta quarta, das 11h às 16h30. Em seguida, será realizada a cremação, no Memorial do Carmo, só com a presença da família.

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Ganhador do Grammy por seu disco Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas, tem mais de 40 discos lançados desde 1956. Paulista de São José do Rio Preto, onde nasceu em 15 de julho de 1932, tocava clarinete desde os 9 anos, mas era também trompetista, saxofonista, compositor e arranjador. O músico, considerado um dos maiores instrumentistas da música brasileira, tocou com grandes nomes como Ary Barroso, Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento e Raphael Rabello.

 

Paulo Moura, figura sempre afável nos palcos, palmilhou uma longa estrada, apresentando-se com grandes nomes nacionais e estrangeiros. Foi assim desde seu primeiro registro fonográfico, em 1951, quando logo de cara acompanhou Dalva de Oliveira cantando nada mais, nada menos que Palhaço (Nelson Cavaquinho), até seu último trabalho, AfroBossaNova, ao lado de Armandinho, lançado no ano passado.

 

É difícil citar todos, mas é impossível não lembrar de trabalhos antológicos, como os álbuns gravados com a pianista Clara Sverner; Paulo Moura Interpreta Radamés Gnattali, de 1959; Confusão Urbana, Suburbana e Rural, de 1976; Mistura e Manda, de 1984; Dois Irmãos, de 1992, com Raphael Rabello; Wagner Tiso e Paulo Moura, de 1996; K-Ximblues, de 2001, em homenagem à obra do genial e pouco lembrado saxofonista e compositor K-Ximbinho; Dois Panos Pra Manga, de 2006, com João Donato; e El Negro del Branco, de 2004, com Yamandu Costa.

 

Amigos e familiares do músico disseram que ele tocou seu clarinete pela última vez no sábado passado, 10, internado no hospital, onde executou Doce de Coco (Dulce de Coco), de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho.

 

A TV Cultura reprisa hoje, às 23 horas, programa gravado em 2006, com Paulo Moura e João Donato, em bate-papo sobre música, amigos e lugares que frequentavam. (Colaborou Lucas Nobile)

 

Leia a repercussão da morte de Paulo Moura:

 

Nivaldo Ornelas, saxofonista e flautista - "Ele não me deu aula de música, mas de vida. Tem músicos admirados só do palco pra fora, mas ele era pra dentro também. Gerações ficaram órfãs com a morte dele."

 

Leo Gandelman, saxofonista - "Doente, Paulo se preocupava com os outros, não queria que sofressem por ele, tentava minimizar. Ninguém podia esperar que estivesse com uma bomba-relógio dessa."

 

Mauro Senise, saxofonista, ex-aluno - "Sofri uma paulada. Nos shows que fizemos recentemente, ele parecia um adolescente. Paulo foi meu único professor. Era um escultor de melodias, me iniciou na improvisação."

 

Juca Ferreira, Ministro da Cultura - "Era um instrumentista e solista primoroso, além de compositor, arranjador e regente, conhecido e admirado no mundo todo. Uma figura humana singular."

 

Marcello Gonçalves, violonista - "Estava com o Paulo no sábado, na clínica São Vicente. Ele teve coragem de mostrar as ideias dele, sempre novas. Deu direção a muitos músicos da minha geração."

 

Yamandu Costa, violonista - "Nosso último show juntos foi no Equador, há 8 meses. Ele era muito divertido, simpático e malandro ao mesmo tempo. Tinha muita vontade de produzir coisas novas sempre."

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