Paulinho Moska canta a beleza e o medo em seu novo disco, com produção de Liminha

Paulinho Moska canta a beleza e o medo em seu novo disco, com produção de Liminha

Músico faz show de lançamento do álbum 'Beleza e Medo' nesta sexta, 21, em São Paulo

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2018 | 06h01

A beleza que precede o medo. O medo que conduz à beleza. Paulinho Moska transita por essa dualidade ao longo das dez canções inéditas – parte delas autoral, outra parte em parceria – em seu novo disco, Beleza e Medo. E esses polos opostos vêm assim, em alternância, dentro dessa narrativa criada por ele, ao lado do produtor Liminha. Como se, para cada sensação de angústia, houvesse o alívio de um sentimento mais otimista. Moska faz show de lançamento do novo trabalho nesta sexta, 21, na Casa Natura Musical, em São Paulo. Mas, como ele vai comemorar também seus 25 anos de carreira, contando a partir de seu disco de estreia, Vontade (1993), o cantor e compositor vai reservar espaço generoso no repertório para seus sucessos. 

A canção que abre o álbum, a solar Que Beleza, A Beleza, foi a primeira que ele compôs – e que fez nascer nele o desejo que essa música estivesse em um disco. Mas o momento pelo qual o País passa fez Moska repensar o conceito do que seria o novo trabalho. “Com tudo isso acontecendo em torno de todos nós. Mais do que qualquer decepção com o governo de esquerda, é a evidência de como tudo está misturado, como a política funciona, as corrupções todas vindo à tona. E toda a reação popular a isso, toda a violência verbal que se começou a partir disso. Isso foi me pressionando de um jeito que comecei a ficar muito incomodado de fazer um disco sem tocar no assunto”, diz o músico, em entrevista ao Estado

Essa inquietação o levou a recorrer a um antigo parceiro de música, Carlos Rennó. Dias depois de conversarem sobre o assunto, Rennó retornou com uma canção-manifesto, Nenhum Direito a Menos, que os dois assinam juntos – e cujo clipe já está disponível no YouTube. “Nesse momento de tão pouca luz à vista/ E tanto ataque ao que é direito e é conquista/ Eu canto tanto desistência, o desencanto/ Mas canto a luta, a rexistência, tanto quanto”, traz um trecho da música. “Quando chegaram as primeiras estrofes e passei a fazer a canção, comecei a achar que ela era um ET dentro do disco. E a partir dessa canção, comecei a tentar equilibrar o disco”, conta Moska. 

Ele falou, então, com outra parceira e amiga, Zélia Duncan. “Também disse a ela que não queria ficar calado, que eu estava com um disco muito com gosto de mel, que precisava de um pouco de sal”, ele lembra. “Ela me deu essa letra, Medo do Medo. Eu fiz esse reggae, essa canção, e aí o ‘medo’ foi para o título. Combinei a letra dela com a letra dos direitos, e entendi que eu estava começando a desenhar uma dualidade.”

Quando as duas canções ficaram prontas, conta Moska, ele começou a escrever as demais composições a seu modo, que é mais metafórico do que o de Rennó, compara o músico. Foi a partir dali que vieram canções como O Jeito É Não Ficar Só. E um trecho dessa canção, em especial, chama atenção logo à primeira audição: “Mas pra que morrer hoje/ Se amanhã eu estarei melhor?/Viver pra sempre ninguém pode/ O jeito é não ficar só”. Soa como uma mensagem de esperança em meio ao caos.

“O disco todo tem esse personagem que cai e levanta, cai e levanta, cai e levanta. Até a canção Nenhum Direito A Menos é uma descrição de um país horroroso, mas o refrão diz nunca mais um direito a menos, vamos à luta, amanhã vai ser melhor”, pondera. “Nessa dualidade entre beleza e medo, os dois se alimentam um do outro, porque, se não houvesse beleza no mundo, a gente não teria medo de perdê-la e, ao mesmo tempo, se a gente não sentisse o medo, não haveria necessidade de produzir beleza.”

Esse universo musical forjado por Moska em seu novo disco vem embalado pelo pop rock, contribuição preciosa de Liminha, o produtor de clássicos da música brasileira, de Gilberto Gil a Titãs. Moska e Liminha trabalharam pela primeira vez juntos no disco Fito Paez & Moska: Locura Total, lançado em 2015.

A promessa de retomarem a parceria se concretizou agora, em Beleza e Medo. “Eu já o procurei pedindo um disco pop rock. Eu queria voltar (a isso). Eu vinha da turnê Violoz, em que passei três anos e meio sozinho fazendo show solo com meus violões, e eu estava com uma saudade imensa de tocar com banda. E o disco catapultou para formar uma nova banda, que vou apresentar no show em São Paulo.”

Casa Natura Musical. Rua Artur de Azevedo, 2.134, Pinheiros. Nesta sexta (21), às 22h (abertura da casa: 20h30). R$ 80/R$ 200. 

Veja o clipe 'Nenhum Direito a Menos':

 

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