Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Paulinho da Viola e Marisa Monte fazem encontro comovente em São Paulo

Primeira noite de uma temporada que vai até domingo, no Citibank Hall, trouxe clássicos e surpresas com histórias saborosas

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2017 | 00h42

SÃO PAULO - O mistério sobre o encontro entre Paulinho da Viola e Marisa Monte foi enfim revelado. Com meia hora de atraso, Paulinho surgiu sozinho na primeira apresentação que fizeram na temporada paulistana do show, que passará também por outras cidades. No Citibank Hall, ele fica até este domingo, dia 7.

Sem divulgar repertório, fazer fotos juntos ou dar entrevistas, Paulinho e Marisa vieram para um encontro de repasse de suas carreiras. As surpresas foram ótimas, apesar de pontuais. Ver Paulinho da Viola e seu grupo quase regional tocando o rock de Carnavália foi divertido e comovente. Marisa cantando Sinal Fechado com Paulinho em uma versão sofrida foi bem bonito. Os dois passaram o maior tempo sentados um ao lado do outro, à frente dos oito músicos do sambista. O show era de Paulinho, com Marisa aparecendo como convidada.

O repertório saiu do lugar comum também quando a dupla cantou uma canção fora dos padrões do samba, uma quase balada da qual Marisa decidiu resolver contar a história. Não Quero Você Assim foi feita por Paulinho entre 1969 e 1970 para ser gravada por Roberto Carlos, mas o sambista nunca teve coragem de mostrá-la.

Há um bloco todo em que os dois parecem trocar ideias improvisadas sobre sambas da Velha Guarda da Portela, cantando trechos e sambas inteiros. Recordam de grandes autores até chegarem ao ápice, com Preciso me Encontrar, de Candeia. A beleza da voz de Marisa nesta música fica irresistível.

Eles voltam a caminhar então pelo repertório de Paulinho, com Foi um Rio que Passou em Minha Vida e caem em uma versão apenas de voz e violão de Carinhoso, a mesma que mostraram em 2003 juntos, do documentário Meu Tempo é Hoje, sobre a vida de Paulinho. Eles terminam e Marisa recomeça, pedindo que todos cantem juntos. E a plateia canta mesmo, depois de ser lembrada por Paulinho de que esta canção foi composta há exatos 100 anos, em 1917, por Pixinguinha.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.