Paulinho da Viola e Jazz Sinfônica, unidos pelo samba

Se Paulinho da Viola já se basta apenas com um banquinho e um cavaquinho nas mãos, o que se dirá dele acompanhado de toda uma orquestra. Paulinho já protagonizou esse tipo de encontro algumas vezes ao longo da carreira e o repetirá hoje, ao lado da Jazz Sinfônica, no Memorial da América Latina, em um espetáculo especial dentro da série Jazz +.Na realidade, será um reencontro com essa orquestra. "Vou tocar com ela novamente depois de 12 anos, mas agora em condições diferentes", disse ele, após ensaio com os músicos da sinfônica, no próprio Memorial. "Adoro tocar com orquestra, é diferente do que costumo fazer." Por ter sua obra ligada a uma suposta sofisticação, há quem possa considerar apropriada essa combinação. O músico, de fato, não vê dificuldades em acompanhar uma orquestra, mas discorda dessa tal de sofisticação em sua música. "Meu trabalho é simples. Tenho uma maneira de ser, mais reservado, e isso reflete no que faço. Sofisticado é Cartola."Para a apresentação, o maestro João Maurício Galindo pensou em um repertório só de sambas antigos da Portela, mas, na hora da escolha, outras músicas tradicionais foram lembradas. Depois de selecionadas, canções como Choro Negro, Coração Leviano, Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida (todas de Paulinho da Viola), Cântico À Natureza (de Jamelão, Nelson Sargento e Lourenço), Quantas Lágrimas (de Mijinha) e O Ideal é Competir (de Candeia e Casquinha), ganharam arranjos escritos especialmente para orquestra, de Nelson Ayres, Cyro Pereira, Tiago Costa, entre outros. Paulinho vai cantar também, pela primeira vez, Vai Vadiar, sucesso na voz de Zeca Pagodinho. "A Jazz faz isso há mais de 15 anos. Conta com arranjadores e compositores maravilhosos", afirmou Galindo.Segundo ele, a Jazz Sinfônica funciona como uma espécie de laboratório musical. Por isso, muita coisa é testada no palco. No meio do ensaio, por exemplo, o maestro, na tentativa de uma solução sonora, resolveu deslocar o grupo percussivo da orquestra para o lado de Paulinho. A bateria permaneceu no mesmo lugar, enquanto cuíca, agogô, surdos foram para o outro lado. "Há dois tipos de som de samba: o que pode ser tocado com bateria, como nas gafieiras, e o samba de escola de samba, com surdo de marcação, agogôs, cuícas..." Galindo quis separar fisicamente esses dois universos no palco. Gostou do resultado, mas não decidiu se o manterá para o show de hoje. Paulinho da Viola e Jazz Sinfônica. Memorial da América Latina/ AuditórioSimon Bolívar (1.500 lug.). Rua Auro Soares de Moura Andrade, 664, metrô Barra Funda, 3823-4768. 4.ª, 21 h. R$ 30

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