Paulinho da Viola chega em dose dupla às lojas

Paulinho da Viola, em dose dupla, chega às lojas neste fim de ano. A Biscoito Fino lança a trilha sonora do filme Meu Tempo É Hoje, documentário de Izabel Jaguaribe em que ele mostra sua intimidade, um pouco de sua história e muitas músicas. E, pela Rob Digital, sai o novo disco do grupo de choro Nó em Pingo d´Água, com 12 músicas dele, três delas inéditas, alguns clássicos e outras pouco conhecidas, além da participaçãodo próprio tocando cavaquinho em três faixas. "E ainda tem odisco da violonista Márcia Taborda, com valsas e choros meus,instrumentais", promete Paulinho da Viola. "Deve sair embreve."Meu Tempo É Hoje e o disco do Nó, sem título, sãocomplementares. O primeiro veio na esteira do sucesso do filme(que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como omelhor deste ano, depois de assisti-lo no Palácio da Alvorada) etem, em 16 faixas, 20 das mais de 30 músicas que ele cantasozinho ou com amigos. Tem Marisa Monte cantando Carinhoso acompanhada pelo violão de Paulinho, ele e Elton Medeiros cantando sambas antigos, Zeca Pagodinho fazendo a crônica do subúrbio em Conflito, ahomenagem da Velha Guarda da Portela, Coisas do Mundo, MinhaNega, que só tinha registro no lendário Memórias Cantando, de1976, e Sinal Fechado, em versões intimistas. "Gostei muito doacompanhamento apenas de violão e de gravar Filosofia, de NoelRosa, que só tinha cantado, há muitos anos, num show beneficente", elege Paulinho. "Pra um Amor de Recife não entrou porque a Marina (Lima) pediu. Eu gostei, mas sei lá... acho que ela ficou insegura..."Tal como no filme, Um Sarau para Raphael, feita paraRaphael Rabello, cunhado de Paulinho e violonista que morreu nosanos 90, é o momento mais emocionante. O pai do compositor, CésarFaria, e o seu filho João Rabello, tocam juntos acompanhadospelo Nó em Pingo d´Água. Paulinho elogia o filho, conta que eleestá terminando faculdade, mas que não planeja tê-lo como seumúsico. "Será como ele escolher porque não imponho nada. Sequerdou opinião sobre a música que ele faz, se não for pedida. E ele, se pergunta, decide sozinho o que faz." Tal como foi entre elee César Faria, músico da Rádio Nacional e do Época de Ouroquando Paulinho começou carreira. "Eu ficava observando etentando fazer parecido. Até porque meu pai é de pouco falar."Por isso, o disco do Nó em Pingo d´Água, que terálançamento amanhã e na quarta-feira, no Centro CulturalCarioca, em 9, 10 e 11 de janeiro, no Sesc Vila Mariana, em SãoPaulo, teve completo envolvimento de Paulinho. "A seleção dasmúsicas e os arranjos são deles, que pediram para acertar asharmonias, ver se estava correto. E ainda toquei em três faixas.Ficou bem bacana", comenta. "Sempre gostei muito do Nó, játrabalhamos juntos e é pena que uma faixa tenha ficado de fora,o choro Chuva Grossa também Molha, por falta de espaço."Só fica faltando um disco de músicas inéditas, pois omais recente é Bêbado Samba, feito há dez anos. Mas esse,apesar de muito cobrado - ele mesmo reconhece - ,não sai tãocedo. Paulinho conta que acaba de fazer um samba, Obrigado Cartola, em parceria com Hermínio Belo de Carvalho, para o musical sobre o compositor mangueirense que estréia em 8 de janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil, e tem dois outros encaminhados. "Mas isso não quer dizer que eu esteja trabalhando num disco novo. Tenho umas coisinhas pessoaisa resolver e, já no início do ano que vem, começo a pensar emcompor, mas sem compromisso com prazos ou gravadoras, ou mesmocom uma idéia em volta da qual as músicas acontecem", diz ele."Mas não quero fazer um disco só porque tenho um contrato acumprir. Parei com isso há algum tempo e não pretendo retomar."

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