Mary McCartney
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Paul McCartney resiste ao tempo e lança o novo disco 'Egypt Station'

Álbum será lançado em 7 de setembro

Pedro Antunes, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2018 | 06h01

Havia algo naquelas costeletas esbranquiçadas e – propositalmente ou desleixadamente? – não mais tingidas, como de costume, naquela última passagem de Paul McCartney por São Paulo, naquela noite de 15 de novembro.

Era o Paul McCartney de hoje, contemporâneo, com seus então 75 anos (desde 18 de junho, ele ostenta 76 anos bem vividos). Um ex-Beatle que segue, incansável, irrefreável, por palcos do mundo, levando uma porção de canções antigas, outras nem tanto, e, vez ou outra, algumas mais recentes. Mas era um Paul McCartney sem medo de deixar o mundo entender que sim, ele estava mais próximo dos 80 anos do que dos 70. Maduro e seguro. 

Naquela sensacional entrevista para James Corden, no programa The Late Late Show, dentro do quadro Carpool Karaoke, por sua vez, Paul se mostrou um molecão, tal qual aquele que circulava pela cidade de Liverpool antes mesmo de completar seus 20 anos, com a companhia de um tal “baderneiro” chamado John Lennon. 

Paul McCartney se prepara para lançar, no próximo dia 7 de setembro, o seu 17.º álbum solo de estúdio – isso sem contar a discografia com os Beatles, é claro, e com o grupo que ele fundou depois da saída do quarteto, os Wings. Egypt Station foi entregue a alguns jornalistas do mundo todo e, a partir de hoje, 23, é permitido revelar o conteúdo desse novo trabalho de Paul. 

E Egypt Station, com suas 16 faixas, com canções de abertura e encerramento e até uma faixa que se passa no Brasil (!!!), é um retrato de dois Pauls em um. É o Paul McCartney próximo dos seus 80 anos, homem que percorre o mundo atento às histórias que ouve em cada lugar do planeta. Também é, como é possível perceber na faixa de encerramento, chamada Hunt You Down (Naked) também é experimental, roqueiro, intenso, cheio de camadas. 

Cinco anos separam Egypt Station de New, o mais recente álbum de estúdio lançado por Paul. O trabalho anterior era enérgico, quase fluorescente, e realizado com o auxílio de quatro dos mais importantes produtores da época, quando o assunto era música pop: Mark Ronson, Ethan Johns, Paul Epworth e Giles Martin. Egypt Station parece ser mais certeiro.

Paul contou com Greg Kurstin como produtor em 15 das músicas. A única exceção é Fuh You, a música mais “Paul jovem” desse novo disco, realizada com o auxílio de Ryan Tedder, que já trabalhou com nomes como U2, mas que tem feito sucesso com sua quase boy band punk chamada OneRepublic

Há tempos não se ouvia Paul McCartney tão em forma e cheio de energia no estúdio como agora. Justamente aquela energia exibida sobre o palco, nas turnês inesgotáveis (ele, aliás, já anunciou mais giro mundial, mas ainda não prevê passagem por aqui). E a mesma do Carpool Karaokê. Um Paul McCartney imune às ações do tempo, sempre implacável, e, ao mesmo tempo, de acordo com ele.

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