Paul McCartney é ovacionado por 50 mil pessoas em Porto Alegre

Depois de Porto Alegre, Paul segue para Buenos Aires e chega a São Paulo para dois shows, nos dias 21 e 22 deste mês

Lucas Nobile, de O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2010 | 22h34

PORTO ALEGRE - Porto Alegre recebeu o show do ano na noite deste domingo. Com o Estádio do Beira-Rio completamente tomado por 50 mil pessoas, Paul McCartney entrou no palco com cinco minutos de atraso diante de uma ovação histórica.

 

Foto: Franco Rodrigues/Divulgação/RBS

 

Antes do show do Beatle, estava programada abertura pela dupla Kleyton & Kledir, que não ocorreu por "problemas técnicos, segundo informações da organização do evento. No lugar dos dois gaúchos, quem entrou na fogueira foi o DJ Pic Schmitz, ao lado do saxofonista da Banda Dublê, Vinicius Neto e do guitarrista Fred Mentz, todos também representantes do Rio Grande do Sul. Não escaparam das vaias na apresentação que durou 30 minutos e de um público que gritava "Kleyton & Kledir".

 

Os portões para o show foram abertos às 17h30, debaixo de um sol e de temperatura que marcava 36 graus nops termômetros da capital gaúcha. Algumas pessoas aguardavam na porta do estádio desde a última quinta-feira. Outras chegaram à porta do Beira-Rio ontem mesmo e se protegiam de filas quilométricas - que davam uma volta completa no ginásio Gigantinho, localizado ao lado do Beira-Rio -, escondidas debaxo de guarda-chuvas.

 

Na porta do estádio, sobravam cambistas, que vendiam ingressos para a pista premium no valor de R$ 900. O valor oficial era de R$ 520. Em frente ao Bera-Rio, até um bar vendia entradas a preços mais altos do que os oficiais. em frente à entrada principal, dois argentinos vestidos de Paul e George Harrison se encontraram com um taxista clone de John Lennon e perguntaram: "John, cadê o Ringo?". Ouviram a seguinte resposta em tom de piada: "Ele deve estar em Gramado ou em Pelotas, descansando".

 

Até o início do show, eram muitas as ocorrências no ambulatório situado no gramado. A maioria dos casos era de desidratação, com pessoas desmaiando devido ao forte sol a que se submeteram ao longo da tarde. Faltando dez minutos para o começo do show, Mariella Tanibuchi, de 29 anos, foi carregada no colo pelo marido, após desmaiar. "A gente chegou às 18 horas, nem tinha mais sol. Tinha muita gente sentada, numa boa, mas depois houve uma aglomeração enorme perto do palco e eu comecei a passar muito mal".

 

Outro caso mais grave, segundo a organização, foi de uma garota que teve uma crise de apendicite aguda, mas, mesmo assim se recusou a ser atendida e quis ver o show. Até 21h50, não houve ocorrências policias registradas pela Brigada Militar.

 

Show

 

Paul, que já havia sido simpático no sábado, ao acenar para os fãs na porta do hotel Sheraton, onde ficou hospedado, jogou para a plateia. Fez pose e dialogou com o público em português com forte sotaque britânico. "Boa note, Porto Alegre. Boa noite, Brasil. Hoje eu vou tentar falar português, mas vou falar mais inglês. Obrigado, gaúchos".

 

Ao que o Beira-Rio, em coro, gritava: "Ah, eu sou gaúcho!". Realmente, foi uma surpresa para o estado receber o show, que deveria ir para São Paulo, Brasília e Rio, os dois últimos que ficaram na saudade.

 

Até as 22 horas, Paul quase havia derrubado o Beira-Rio - que, obviamente agitou-se mais nos clássicos dos Beatles - tocando 15 músicas.

 

Até este horário, ele tocou: Venus and Mars/ Rockshow/Jet; All My Loving (com cenas dele, John Lennon, George Harrison e Ringo Star jovens no telão); Letting Go; Drive My Car; Highway; Let Me Roll It; Long And Winding Road; 1985; Let Me In; My Love (dedicada à sua mulher que morreu, Linda McCartney); I've Just Seen A Face; And I Love Her. Ao término destas 14 músicas, chamou a plateia: "Mais fortchê!", antes de atacar com a antológica Blackbird.

 

Em meio a um show família, o público era dos mais variados, com pessoas de várias idades. Caso de Fernanda Tonetto, de 33 anos, que estava acompanhada do filho, de 10. "Ele é muito mais fanático pelo Paul do que eu. e olha que foi descobrir sozinho, sem ninguém mostrar as músicas para ele".

 

Era uma chuva de jovens com camisetas de outras bandas, como Foo Fighters, Led Zeppelin, AC/DC. "Os Beatles podem não ter sido os melhores em todas as áreas do rock, mas eles criaram tudo", reconhecia Marcelo Mallet Ciqueira Campos, de 28 anos, vestindo camiseta do Metallica.

 

Depois de Porto Alegre, Paul segue para Buenos Aires e chega a São Paulo para dois shows, nos dias 21 e 22 deste mês.

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