Paticumpá se apresenta no Auditório Ibirapuera

Cleber Campos vai logo avisando: não éum concerto de MPB, bossa nova ou drum?n?bass. Mas imagine umpouco de tudo isso minuciosamente trabalhado em criativosarranjos para percussão, marimbas, vibrafones e bateria. O nomedo duo que Cleber forma ao lado de Cesar Traldi ilustra bem adescrição acima e não deixa dúvidas: juntos, os jovens músicosformam o Paticumpá, que se apresenta desta sexta-feira, 27, a domingo no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Não satisfeitos, os percussionistas experimentam também na área tecnológica ecriaram um espetáculo com efeitos visuais. Apagam-se as luzes ebaquetas fosforescentes saltam sobre tambores em grandes alturas ritmicamente. "Um amigo veio dizer, ao fim de um show, quegostou muito da proposta das baquetas ?Jedi? (guerreirosintergalácticos de ?Star Wars?)", diverte-se Campos, de 29 anos. O duo Paticumpá foi formado em 2003 nas ruas de BarãoGeraldo, distrito onde se encontra a Universidade Estadual deCampinas (Unicamp). Ambos estudavam música - Campos haviaentrado na faculdade em 1999 e Traldi, em 2001. Graças às aulaspráticas se conheceram e descobriram afinidades musicais, além,é claro, de terem se tornado grandes amigos. "Estamos ensaiandohá duas semanas aqui em casa. Os músicos que tocarão conosco têmvindo para cá e passamos o repertório durante toda tarde e noitena edícula. Lá pelas 22, 23 horas, nós paramos para não receberreclamações dos vizinhos", conta o bem-humorado Campos.Repertório Osmúsicos aos quais ele se refere são todos companheiros de outrostrabalhos. Foi Pena Schmidt, superintendente e produtor musicaldo Auditório Ibirapuera, quem sugeriu ao duo que convidasseoutros músicos. Parcerias que têm dado muito certo em diversosshows da casa, como os realizados pela Barca no último fim desemana ao lado de Bumba Boi Brilho da Sociedade (MA), Irmandadedo Rosário de Justinópolis (MG), e Redandá (SP). Os escolhidos para acompanharem Campos e Traldi sãotambém músicos de primeira linha: Alessandro Penezzi (violão), ofrancês Tibô Delor (contrabaixo), Rubinho Antunes (trompete),Vitor Mateus (violão), Danilo Penteado (contrabaixo) e as irmãsargentinas Daniela (percussão) e Carolina Cervetto (saxofone). Orepertório vai contemplar tanto canções de brasileiros, como NeyRosauro, Pinduca e Tom Jobim, quanto de Mark Ford, Michael Udowe Stephen Primatic. Também apresentarão composições própriascomo Coaxos, de Traldi, Paticumpatá e Sputnik, ambaselaboradas pelo duo. Você também pode aguardar por surpresasdurante o show: novos arranjos foram criados pela dupla. Amúsica Waltz in F, de Primatic, por exemplo, pensadaoriginalmente para vibrafone solo, acabou ganhando uma novaroupagem para marimba, trompete, saxofone, vibrafone e até tubosde conduíte.Turnê européia Panelas e tambores de freio também fazem parte da listados instrumentos que a Kombi vai buscar em Campinas às 10 horasda manhã desta sexta, 27. Passarão a tarde toda ensaiando nopalco para, à noite, apresentarem seu show. "Já fizemos umreconhecimento do palco com estalos e palmas e o auditóriorespondeu muito bem", conta Campos. Vamos ver se a opiniãocontinuará a mesma quando todo mundo estiver a postos. Ospianistas Brad Mehldau e Nelson Freire saíram de láinsatisfeitos em shows recentes naquela casa - o primeiroatrasou mais de uma hora o seu recital por causa da afinaçãoconstantemente alterada pelo ar condicionado e o brasileirodeixou Málaga, peça de Albéniz, pela metade, justificandoelegantemente que o "piano não estava respondendo". Detalhesimperceptíveis para os mortais. No entanto, quem chamou mesmo a atenção de Campos, emapresentação no Auditório Ibirapuera, foi Steve Nelson, ovibrafonista afro-americano que acompanha o baixo de DaveHolland. "Ele é mestre." As influências do duo são muitas ediferem bastante entre si - de Villa Lobos a Naná Vasconcellos,aos clássicos Mahler, Stravinski e Beethoven. No dia 5, o Paticumpá embarca para a Europa, onde fazconcertos e contatos em Portugal, Espanha e França. O segundosemestre será dedicado à gravação do primeiro CD que batalhampara lançar de forma independente. O nome onomatopéico do duodeve ser estampado na capa do álbum e em, pelo menos, uma dasComposições. Paticumpá. Auditório Ibirapuera (800 lug.). Av.PedroÁlvares Cabral, s/nº, portão 2, Pq. Ibirapuera, 5908-4299.Sexta-feira, 21 horas; sáb. e dom., 20h30. R$ 30

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