Valentin Flauraud/ Reuters
Valentin Flauraud/ Reuters

Pat Metheny é anunciado como atração do BMW Jazz Festival

Esperanza Spalding e Brad Mehldau também se apresentam no maior festival de jazz do País, em junho

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

16 de abril de 2013 | 12h54

A terceira edição do BMW Jazz Festival, o maior do gênero no País, anunciou nesta terça-feira, 16, suas atrações para a próxima edição, que será realizada no HSBC, em São Paulo (de 6 a 9 de junho) e no Rio de Janeiro (Vivo Rio, de 8 a 10 de junho). O início da venda de ingressos para o público em geral será no dia 23 de abril, à 0h (custam entre R$ 50 e R$ 140).

O destaque é o guitarrista Pat Metheny, de 58 anos, que traz ao Brasil sua Unity Band, ganhadora do último Grammy, em fevereiro, na categoria de melhor jazz instrumental. A banda tem Chris Potter no saxofone e clarineta, Ben Williams no baixo e Antonio Sánchez na bateria e a gravação do seu disco juntos foi a primeira em 32 anos na qual Metheny usou saxofone.

O Grammy foi o 20º da carreira de Metheny, nascido Patrick Bruce Metheny no Missouri em 1954.Ele será o único, segundo o curador Zuza Homem de Melo, a ter uma noite no festival inteiramente dedicada a sua música, "pela capacidade de se envolver em diversas formações instrumentais diferentes" na carreira.

Curioso notar: haverá a possibilidade de reunir Metheny e um novo parceiro, o celebrado pianista Brad Mehldau. Ele também está na programação do festival com seu trio (o baixista Larry Grenadier e o baterista Jeff Ballard). Em 2006, Metheny e Mehldau gravaram juntos um disco, e o pianista revelou que, aos 13 anos, um amigo colocou para tocar para ele Are You Coming With Me?, do disco do Pat Metheny Group, de 1982, Travels. "Aquilo mudou minha vida", declarou. Algumas décadas depois, gravariam juntos um álbum no qual tocam coisas como Undercurrent, de Jim Hall e Bill Evans.

A cantora e contrabaixista Esperanza Spalding virá com uma big band de 11 músicos e apresenta seu último disco, o álbum Radio Music Society, que também ganhou o Grammy este ano.

O saxofonista Joshua Redman, que foi atração da primeira edição do festival, traz o projeto James Farm ao Brasil. "James" é o nome formado pelas iniciais dos integrantes: Joshua, o pianista Aaron Parks, o baixista Matt Penman e o baterista Eric Harland. "Farm", de fazenda, em inglês, seria a definição do tipo de som orgânico que buscam.

Os consagrados Joe Lovano, saxofonista de 61 anos, e Dave Douglas, trompetista de 50, montaram o projeto Sound Prints (alusão à composição Footprints, de Wayne Shorter). A homenagem a Shorter os traz ao Brasil acompanhados de Lawrence Fields (piano), Joey Baron (bateria) e Linda Oh (baixo). O show que trazem foi apresentado no ano passado no North Sea Jazz 2012, em Roterdã.

O multiinstrumentista Egberto Gismonti sobe ao palco com a Orquestra Corações Futuristas, banda formada por jovens. Houve boatos acerca da saúde de Gismonti, mas a curadoria disse que ele demonstrou grande entusiasmo com o projeto e está bem.

Segundo o produtor musical Pedro Albuquerque, um dos curadores, a ausência de nomes da soul music e do funk (em edições anteriores, vieram a cantora Sharon Jones e o saxofonista Maceo Parker, representando esses gêneros) vai ser suprida pela maleabilidade musical de Speranza Spalding e pela sua nova aposta, o baterista o baterista e compositor Johnathan Blake, da Filadélfia, O baterista fecha com seu grupo a programação do BMW Jazz Festival com o show de seu primeiro disco solo, The Eleventh Hour (gravado com a participação do lendário trompetista Tom Harrell). Blake traz em seu quinteto outra notável revelação, o saxofonista Jaleel Shaw.

Apesar de ter se mudado do Auditório Ibirapuera, onde não conseguia abrigar todo o público que buscava pelos concertos, o festival confirmou uma apresentação ao ar livre, de graça, no domingo, dia 9 de junho, às 19h. Também haverá workshops de Pat Metheny, do grupo James Farm e de Joe Lovano e Dave Douglas na Escola de Música do Estado de São Paulo (Emesp). Segundo a organizadora, Monique Gardenberg, o festival chegou a tentar o Teatro Municipal de São Paulo, mas não conseguiu conciliar as datas. Ela criticou os preços de shows praticados no mercado brasileiro. Disse que, quando realizou o TIM Festival, o show mais caro que organizou foio de Kanye West, a R$ 250. "Houve uma saturação do mercado", afirmou. Arturo Piñeiro, presidente e CEO da BMW Group Brasil, citou o pianista canadense Oscar Peterson para justificaro investimento da empresa no gênero: jazz é uma expressão "elegantemente anárquica do sentimento do artista".

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