Karsten Moran/The New York Times
Karsten Moran/The New York Times

Parte do catálogo de Bob Marley é adquirido por distribuidora

Com acordo de 50 milhões de dólares, Primary Wave compra direitos autorais do ídolo do reggae da Island Records

Ben Sisario, The New York Times

15 Janeiro 2018 | 19h07

Quando Chris Blackwell, fundador da gravadora Island Records, conheceu o músico itinerante Bob Marley, em 1972, ele teve a intuição de que o jovem artista encontraria sucesso. 

“Ele tinha uma espécie de aura ao seu redor”, Blackwell, 80 anos, recordou em uma entrevista recente. “Eu tinha a sensação de que ele teria impacto.” 

Mas Blackwell disse que não imaginava o tipo de canonização na cultura pop que Marley teria no fim das contas: dezenas de milhões de álbuns vendidos, reconhecimento instantâneo de seu nome e dreadlock por todo o mundo, e um patrimônio que, pela estimativa da revista Forbes, cresceu 23 milhões de dólares no último ano, parcialmente graças à venda de produtos licenciados como alto-falantes, café e a cannabis da Marley Natural. 

Enquanto a família de Marley, que morreu em 1981, aos 36 anos, controla a maioria dos ativos de sua herança, Blackwell controla os direitos de publicação de seu catálogo musical, incluindo os direitos autorais de canções clássicas de reggae como One Love e Three Little Birds. No sábado, 13, Blackwell assinou um acordo de 50 milhões de dólares com a Primary Wave Music Publishing, uma empresa musical de Nova York, a mais recente em uma sequência de transações relevantes, refletindo o quanto o streaming impulsionou o valor dos catálogos musicais. 

“A distribuição primária é absolutamente importante, mas não é tão empolgante”, disse Blackwell, que fala em um sotaque cadenciado, suave e britânico, mas carrega dois aparelhos celulares que tocam constantemente. “Mas agora é o negócio na música. As gravadoras costumavam produzir, e essa era a diferença entre uma gravadora e uma distribuidora. Tudo isso já era agora.” 

Pelo acordo, a Primary Wave vai controlar 80% da parte de Blackwell em dois catálogos: as músicas de Marley e a Blue Mountain Music, uma distribuidora que Blackwell criou em 1962, que detém hits do reggae de Toots & the Maytals e clássicos do rock de Free (All Right Now) e Marianne Faithfull. Blue Mountain também tem direito a canções do U2, mas essas estão excluídas do negócio, segundo Blackwell.

A Primary Wave se embrenhou em um nicho lucrativo na música ao focar em criação de marcas e campanhas de marketing agressivas para o que seu fundador, Larry Mestel, chama de “negócio dos ícones e lendas”. A empresa tem um catálogo relativamente pequeno de mais ou menos 12 mil faixas — seu cardápio contém Smokey Robinson, Def Leppard e Steve Cropper, que escreveu (Sittin’ On) The Dock of the Bay com Otis Redding — que ela promove pesadamente por meio de conexões comerciais, filmes e programas de TV. / Tradução de André Cáceres

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