Leo Aversa
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Parceria entre Jards Macalé e João Donato é um álbum que levou 60 anos para ser gravado

Com dez faixas inéditas, Síntese do Lance traz músicas cantadas e instrumentais numa pegada animada e descontraída

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2021 | 20h00

RIO - Foram precisas seis décadas de muita boa música para que dois grandes nomes, enfim, se unissem para lançar um álbum em conjunto. Jards Macalé e João Donato sempre se admiraram, mas só a partir desta sexta-feira, 22, eles poderão ser vistos lado a lado na capa de um mesmo disco. Com dez faixas inéditas, Síntese do Lance traz músicas cantadas e instrumentais numa pegada animada e descontraída – exatamente a síntese de Jards e Donato.

A ideia do disco surgiu antes da pandemia e partiu do músico Sylvio Fraga, da Rocinante. O álbum é coproduzido por ele, pelo sócio Pepê Monnerat e pelo trombonista Marlon Sette, que também fez os arranjos de metais. “Conheço o Jards desde criança, mas nunca cantamos juntos. Ficamos contentes com o convite, porque nos admiramos há tanto tempo”, diz Donato ao Estadão.

Das dez faixas, uma nasceu 100% da parceria entre os dois. “É a Coco Táxi. Quem vai a Havana anda nesse veículo, um triciclo com um coco em volta. O João mandou uma parte e eu fiz a letra”, conta Macalé.

As demais músicas foram feitas com outras parcerias, como Joyce Moreno e Ronaldo Bastos. “Na pandemia, a primeira coisa que comecei a fazer foi compor. A combinação foi o João fazer uma parte, eu completar e fazer outras”, explica. Donato ressalta que, mesmo à distância, a parceria funcionou. “Foi quase como telepatia.”

Apesar da espera de seis décadas, a dupla demonstrou muita afinidade – e as imagens tiradas para a capa do álbum são a prova disso. Há um pouco de tudo, de ambos com sobretudo preto ou mesmo com “nada sobre”. Sim, Macalé e Donato chegaram a fazer fotos nus lado a lado em meio a árvores. “Foi engraçado. Alguém teve uma ideia, e a gente foi aceitando”, diverte-se Jards Macalé. “Fizemos a capa no estilo floresta. Eu pela Floresta da Tijuca, ele pela Floresta Amazônica, lembrando nossas origens no Rio e no Acre.” “As fotos ficaram parecendo Adão e Eva no Paraíso”, ele compara. “Mas a finalidade era justamente essa, fazer alguém dar risada.” 

Os dois se mostram plenamente satisfeitos com o álbum. “A gente vai ficar feliz se o disco transmitir uma nova alegria. É o que a gente mais do que nunca está precisando”, diz Macalé. Para Donato, o resultado ficou ótimo. Ele acha até que o álbum poderia estar em mais lugares. “A música deveria ser vendida em farmácia. É um ótimo remédio contra a tristeza.” 

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