Paralamas querem festejar no palco seus 20 anos

O vigésimo aniversário dos Paralamas do Sucesso, em setembro, deverá ser comemorado no palco. O sonho é acalentado pelo baixista Bi Ribeiro, que vem ensaiando com o baterista João Barone e com o líder da banda, Herbert Vianna, duas vezes por semana. Vítima de um grave acidente de ultraleve há exatamente um ano, Herbert ainda não pode andar, mas já canta, toca guitarra e violão e compõe para o novo disco do grupo.Se sua recuperação continuar no ritmo atual, o trio poderá ir para estúdio até o meio do ano. Mas os médicos alertam: é cedo para saber se a paraplegia será superada. O maior desejo do artista é voltar a andar. Os movimentos das pernas foram perdidos com as lesões sofridas na medula e no cérebro, provocadas pelo choque que o corpo de Herbert sofreu ao cair no mar de Mangaratiba, no litoral sul do Rio. Segundo Bi Ribeiro, Herbert "quer andar de qualquer jeito, mas não tem pressa". "Ele está cada dia melhor e tem certeza de que conseguirá. Ele está zen."Os integrantes do Paralamas se encontram sempre na casa de Herbert, em Vargem Grande, na zona oeste, onde passam horas no estúdio do cantor. Todas as manhãs, a rotina de Herbert inclui sessões de fisioterapia motora, terapia ocupacional e exercícios na água, conforme explica o fisiatra Luiz Alexandre Cantanhede.Evolução - "Há cerca de um mês e meio, surgiram alguns movimentos na parte frontal das coxas, mas que não permitem que ele ande sozinho. Ele só consegue ficar de pé quando usa um aparelho chamado órtese (duas calhas de fibra de carbono colocadas sobre as pernas) e se apóia em barras", diz o médico. Os progressos do músico são vistos com cautela. "Ainda não sabemos se ele vai voltar a andar, não dá para fazer um prognóstico. Quanto mais o tempo passa, mais difícil é o retorno dos movimentos."Segundo o fisiatra, o cantor está animado com a evolução de seu quadro - a recuperação da memória, por exemplo, é considerada muito boa -, mas "sabe que tem de ter os pés no chão". "A gente procura não iludi-lo, mas não tira a esperança." A companhia dos três filhos, Lucca, de 9 anos, Hope, de 6, e Phoebe, de 2, é constante. A mãe do cantor, Maria Teresa, se mudou para a casa do filho, para cuidar dos netos e acompanhar os cuidados médicos. "A decisão de realizar o tratamento dentro de casa é justamente porque o carinho da família é um forte estímulo."

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