Paralamas fazem show em SP

Quase quatro anos depois de sua últimaapresentação em São Paulo, os Paralamas do Sucesso voltam àcidade para dois shows, sábado e domingo, no Credicard Hall,casa que eles inauguraram, junto com os Titãs, em 1998. Desdeentão, o grupo passou pela tragédia do acidente de HerbertVianna, em fevereiro do ano passado, e volta com todo o gás. "Émuito importante estar em São Paulo, uma cidade que formaopiniões e onde temos um público enorme", disse Herbert nasegunda-feira, na sede da gravadora EMI-Odeon, pouco antes deele, o baterista João Barone e o baixista Bi Ribeiro embarcarempara Curitiba, parada de sua turnê esta semana. Eles estão trabalhando o disco Longo Caminho,lançado em setembro deste ano, com a maioria das músicascompostas após o acidente que prendeu Herbert a uma cadeira derodas. O disco e o show, segundo ele, contribuem para suarecuperação, que surpreendeu não só quem convive com ele, masaté a equipe que o tratou. "Este show é um passo além e realizao meu desejo de fazer cada vez mais, de estar com o público",comentou o guitarrista e compositor. Barone lembra que, noinício, eles pretendiam poupar o companheiro e diminuir o númerode apresentações, mas não foi necessário. "Subestimamos tanto sua vontade quanto a capacidade derecuperação, pois não queríamos atropelá-lo, mas o Herbert é omais animado de todos nós nesta turnê", confidenciou obaterista. "Não que a gente estivesse com preguiça ou fazendocorpo mole. É muito bom estar de volta à estrada, principalmenteagora que estamos completando 20 anos de carreira." O roteiro do show, por isso mesmo, passeia pelorepertório dessas duas décadas em que, de adolescentes quegostavam de rock e reggae, tornaram-se importantes nomes damúsica brasileira e um dos grupos de maior sucesso de suageração. Se os sucessos iniciais Óculos e Vital e SuaMoto estão fora, não faltam Alagados, Meu Erro,Assaltaram a Gramática e as mais recentes, UmaBrasileira, Lourinha Bombril, além das músicas do novodisco, pelo menos duas já com sucesso garantido: LongoCaminho e Cuide Bem do Seu Amor, que está na trilha danovela Sabor de Paixão, da Rede Globo. "Tocar de novo esse repertório antigo é sempre ummomento de reavaliação. Nos dá chance também de retrabalharmúsicas que não tiveram a repercussão que esperávamos na épocado lançamento", disse Barone. "Não que déssemos preferência auma ou outra, mas o sucesso de algumas faixas de nossos discosatropelou outras e agora a gente pode ir mais fundo nas queficaram de lado." Herbert completou que essa avaliação é subjetiva elembrou que, pela forma com que o grupo sempre trabalhou, nuncahouve muita sobra de estúdio e seus discos eram enxutos."Ensaiamos muito antes de começar a gravar e quase tudo o queregistramos vai para o público. Mas sempre há músicas queagradam mais que outras", avisou ele. "Isso aconteceuespecialmente na passagem do vinil para o CD, quando os discoscomeçaram a ter mais faixas. Um exemplo de música que poderiater acontecido mais é A Dama e o Vagabundo, que está noshow", acrescentou Ribeiro. Público - Os 20 anos de carreira representam não só oamadurecimento do grupo, como também a ampliação da faixa etáriade seu público. Nos shows dos anos 80, adolescentes e jovemrecém-entrados nos 20 anos lotavam o Circo Voador ou no Morro daUrca, no Rio. Aos poucos, os pais começaram a se interessar,como aconteceu com Gilberto Gil, trazido pelo filho e bateristaPedro, e Paulinho da Viola, cujas filhas lhe chamaram a atençãopara o grupo. Hoje, a situação se inverte e adolescentes, ou quase,vão ouvir os músicos que embalaram festas de seus pais. "Semquerer ser pretensioso, acho que crescemos com nosso público eeles com a gente", disse Barone. "Lembro que as criançascomeçaram a gostar de nossa música em 1996, quando "UmaBrasileira" fez sucesso entre elas", acrescentou Bi Ribeiro. Os três ressaltam que não se deve esperar ao vivo areprodução do que foi gravado no disco. "Nunca tentamos issoporque são trabalhos diferentes. O que diferencia este show dosanteriores é que começamos tocando só os três, como no início dacarreira, e os outros músicos vão entrando aos poucos",adiantou Bi Ribeiro. "A gente se dá a liberdade de mudar tambémo roteiro e o bis é sempre um curinga, que decidimos na hora. Ofato de sermos três e o Herbert tocar e cantar nos permite essasvariações." A carreira desse show começou no início de novembro, emJoão Pessoa, terra natal de Herbert Vianna. Desde então, elestocaram em Belo Horizonte e no Recife, sempre com casa cheia,além de um show fechado no Rio, para os funcionários da rede dehospitais onde o músico foi atendido. "Foi legal e emocionante.Teve gente que só havia visto o Herbert no CTI e depois, de novo no palco", contou Bi Ribeiro. Antes, eles haviam aparecido emapresentações esporádicas, como no show do grupo Reggae B, de Bi e do argentino Fito Paez, ambas no Rio. E fizeram também umshow fechado, que foi transmitido pelo "Fantástico", no fim desetembro. No Natal, eles darão uma parada, mas voltam logo."Estaremos no ATL Hall, no Rio, em janeiro. Depois das grandesapresentações em São Paulo, repetiremos a dose no Rio." Beatles - Longo Caminho foi gravado no primeirosemestre deste ano e os três admitem que tem um clima de anos 60 especialmente dos Beatles. "É difícil negar a influência deles que são o início de tudo. Mas acho que é mais Beach Boys,aquele grupo californiano de surf music. Dizem que o BrianWilson, quando ouviu Revolver, dos Beatles, quis fazer algono mesmo sentido e eles gravaram Pet Sound. Aí o PaulMcCartney soube do disco deles e propôs Sargent Pepper´s. OHerbert sempre gostou muito do Pet Sound e ficou aquela históriado cachorro correndo atrás do rabo", explicou Barone. "Comosempre, o Herbert chega com as músicas e a gente vai trabalhandono estúdio, no maior entrosamento." A volta aos palcos também reacendeu em Herbert a vontadede criar. Além das músicas desse disco, ele está rabiscandoidéias, como explica. "Estar ao lado desses meus irmãosespirituais faz borbulhar o sentimento de criação. Comecei aordenar idéias, a colocá-las no papel", revelou Herbert. "Nãosão necessariamente músicas, mas depois de um tempo passo abuscar a tônica das frases e aí pode surgir algointeressante."Serviço - Os Paralamas do Sucesso. Sábado às 22 horas; e domingo, às 20horas. De R$ 25,00 a R$ 80,00. Credicard Hall. Avenida dasNações Unidas, 17.955, tel. (11) 6846-6000. Patrocínio: Coisa daTelesp Celular.

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