MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO
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Paralamas do Sucesso relançam obra completa em caixa com extras

Banda tem relação agridoce com disco de estreia, 'Cinema Mudo', de 1983

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

26 de abril de 2015 | 03h00

RIO DE JANEIRO - É como se cada disco fosse uma fotografia. E, uma caixa deles, um álbum de fotografias. Memórias, lágrimas e risos, momentos registrados para a eternidade em 18 álbuns e 32 anos de carreira. Os três integrantes do Paralamas do Sucesso repetem, como um mantra, que não são afeitos a nostalgia e preferem manter as cabeças viradas para frente, em vez de buscar um olhar para o passado. Em 2013, eles se deram esse direito. Eram, afinal, 30 anos de trio. Rodaram – e ainda rodam – o Brasil com uma turnê e a caixa com a discografia completa que seria lançada para comemorar a data, atrasou. Os Paralamas do Sucesso 1983 – 2015, chega agora às lojas, com dois anos de atraso, para encerrar o capítulo saudoso da carreira de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. 

“Essa caixa é ótima para lembrar quantos álbuns a gente já lançou”, brinca o baterista Barone, entre risos. “Tomamos um susto, na verdade, ao ver quanto tempo já passou, tanta coisa que já fizemos. Estivemos tão ocupados e não nos atentamos à passagem do tempo.” Ribeiro concorda: “Temos muito orgulho do que está ali. Foi tudo muito verdadeiro, feito com sangue quente da melhor forma. A gente ainda se surpreende por ver determinada faixa ou disco.” 

Como nos álbuns de família, nem sempre gostamos de todas as nossas fotografias. A relação agridoce da banda, neste caso, é com disco de estreia, Cinema Mudo, de 1983. Uma foto daquele momento entre a adolescência e a vida adulta, quando a nossa identidade física e emocional ainda estava em formação. “Sentíamos que estavam nos fazendo um favor por deixarem a gente gravar um disco”, relembra Vianna. O Passo do Lui (de hits como Óculos, Meu Erro, Romance Ideal e por aí), do ano seguinte, por sua vez, é considerado o marco, o ponto no qual o Paralamas se encontrou. 

Isso não quer dizer que eles tenham permanecido assim. “Acho que fomos muito ousados. Na nossa imersão no reggae, o dub, que era uma coisa que nunca fazia no Brasil, a poesia do Herbert, nosso deslumbre pelo afrobeat nos dois discos depois do Selvagem?”, diz Barone. “Apostávamos tudo.”

São dois discos extras na caixa, um com raridades e outro com os sucessos da banda em espanhol, além das inéditas versões de Que me Pisen (do grupo argentino Sumo) e Hablando a tu Corazón (de Charly Garcia e Pedro Aznar), Ainda parece estar colado na retina do grupo o primeiro encontro com Luca Prodan, vocalista do Sumo. “Parecia um mendigo”, brinca Barone, sobre o encontro com o músico em meados dos anos 80. “Ele entrou no nosso camarim na Argentina sem camisa, descaso, com a unha preta.” A influência pela musicalidade dele foi tamanha que o filho de Herbert recebeu o nome em homenagem ao italiano erradicado na Argentina. E o futuro parece apontar para o sangue latino do Paralamas. Além de músicas inéditas (Herbert em um caderno cheio de canções, garante a banda), o grupo burila novas versões de músicas do repertório argentino. “Temos a necessidade de lançar novas músicas, de nos mantermos ativos”, revela Ribeiro.

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