Para todos os gostos, cinco "novas" cantoras de jazz

Na última década, novas cantoras de jazz invadiram o mercado fonográfico. Muitas não vingaram e desapareceram, outras não tiveram a chance de mostrar seus talentos e algumas conseguiram o sucesso. Mas, de uma maneira geral, os órfãos das divas do passado como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billie Holiday e tantas outras foram agraciados com boas vozes e até um pouco de carisma.Nos meses de agosto e setembro deste ano, cinco "novas" cantoras lançaram seus discos. Três delas fazem parte do que o mercado chama de mainstream, ou seja, só os seus nomes já ajudam nas vendas dos discos. São elas: Diana Krall, Natalie Cole e Jane Monheit. Correndo por fora estão as ?desconhecidas? Patrícia Barber e Karrin Allyson.Krall - A canadense Diana Krall é uma campeã de vendas. Seus últimos dois discos, The Look of Love (2001) e When I Look In Your Eyes (99), ficaram no topo das paradas de jazz por vários meses. Com todo este sucesso, Krall não teve dúvida e lançou seu primeiro disco ao vivo, Live In Paris. O disco traz a pianista em uma apresentação no famoso Olympia, na capital francesa, e é uma cópia pobre do DVD lançado no meio deste ano. O CD tem 12 músicas e o DVD, 17, mas para quem conhece a cantora, o disco é perfeito. Krall dá um banho de simpatia e competência em faixas como Fly Me to The Moom e I? ve Got Under My Skin. Infelizmente, boas canções do DVD, como Cry Me a River e All or Nothing, ficaram de fora. Mesmo assim o investimento compensa. O CD traz uma faixa gravada em estúdio, uma versão da música Just The Way You Are, de Billy Joel.Monheit - Seguindo a trilha aberta por Diana Krall, rostinho bonito e talento, a cantora americana Jane Monheit acaba de lançar o seu terceiro disco, In The Sun. Aqui, ela repete a fórmula do festejado disco Come Dream With Me (2001), standards, bossa nova e arranjos de cordas. Jane é fã confessa da música brasileira. Neste novo CD, ela até arriscou cantar em português a música de Ivan Lins Começar de Novo, com o músico ao piano. Lins participa ainda da faixa Once I Walked In The Sun, cantando ao lado de Jane. Do mais, ela dedilha seu piano em clássicos como Cheek to Cheek e Tea For Two. Outro bom momento é Since You? ve Asked, regravação do sucesso de Judy Collins, cantora folk dos anos 70.Cole - Quando ela ?apareceu? para o público, em 1991, com o multiplatinado Unforgettable, Natalie Cole foi lançada ao estrelato como uma grande cantora de jazz. O título faz jus a sua interpretação. Mesmo usando a fama do pai, Nat King Cole, ela provou que é uma grande cantora. Mas seus planos não funcionaram como planejou. Depois de 91, ela lançou três discos que, mesmo sendo bem recebidos pela crítica, não alcançaram boas vendas. Agora, com o lançamento de Ask A Woman Who Knows, seu primeiro disco gravado pela Verve, ela tem tudo para voltar ao topo. O disco tem como arranjador Alan Broadbent, que ?coincidentemente? trabalhou nos discos de Krall e Monheit. Fora isso, se aliou a músicos de respeito como Jeff Hamilton (baterista de Krall), Russell Malone (guitarra), Joe Sample (piano) e Christian McBride (baixo). Feito isso, Natalie só precisou fazer o sabe, cantar bem. Entre as canções estão, My Baby Just Care, clássico do repertório de Nina Simone; Ask a Woman Who Knows,, imortalizada na voz de Dinah Washington; It?s Crazy, que lembra as big bands da década de 40 e Soon, composta pelos irmãos Gershwin. Aproveitando a mudança de gravadora, Natalie convidou Diana Krall, contratada da Verve, para um dueto na canção Better Than Anything.Allyson - A norte-america Karrin Allyson é um caso peculiar. Ela tem todos os requisitos para fazer sucesso, é bonita, canta bem, produz seus discos e grava canções famosas. Ela só começou a chamar a atenção em 2001, com o lançamento de Ballads, um disco tributo para o saxofonista John Coltrane, o sétimo da carreira. Karrin não se acomodou com o ?sucesso? e lançou agora um disco menos popular, In Blue, onde canta canções de lamento. Entre os interpretes escolhidos estão Wes Montgomery (West Cost), Bonnie Raitt (Everybody?s Cryin Mercy e Love Me Like a Man), Blosson Dearie (Bye Bye Country Boy) e Joni Mitchell (Blue Motel Room). Barber - Ela é o que podemos chamar de cantora de vanguarda. Seus discos são recheados de versões minimalistas e interpretações ímpares. Patricia Barber, que além de cantar produz e toca piano, tem uma carreira de altos e baixos. Seus primeiros discos mal são conhecidos. Em 99, a gravadora onde estava foi vendida para a Blue Note e só aí Patrícia conseguiu ser ouvida de fato. Com uma força da nova gravadora, ela lançou dois bons discos, Modern Cool (98) e Night Club (2000), ambos com canções mais conhecidas. Isso ajudou a pianista a ser reconhecida também pelo público. Mas, como Karrin Allyson, ela não se iludiu com o "estrelato" e lançou um disco bem menos popular, Verse, seu sétimo CD. Aqui, a maioria das músicas foi composta por Barber. A música folk dá o tom no álbum. Em canções como Pieces e I Could Eat Your Words, o timbre de sua voz lembra muito o da cantora Tanita Tikaram. Para quem prefere jazz, a Patricia prova que o ecletismo é o seu forte. Nas faixas If I Were Blue e Clues, a voz rouca de Patrícia será uma surpresa para os céticos de plantão.Gregos e troianos - Com esses cinco discos o ouvinte poderá ter uma visão do que está acontecendo no cenário vocal do jazz. Todas essas cantoras têm suas particularidades, personalidades e limitações. Mas, sem dúvida, pelo menos um desses CDs vai agradar aos gregos, troianos, pobres, ricos, puristas ou vanguardistas. Apenas os CDs de Diana Krall, Jane Monheit e Natalie Cole, não por acaso os mais comerciais, foram lançados no País.

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