Para Norah Jones, Elis Regina é a melhor

Longe do piano, Norah Jones é uma garota simples e desprotegida. Tímida, a cantora que faz hoje seu último show em São Paulo (que está com ingressos esgotados), fez sua única aparição para jornalistas brasileiros na tarde de ontem, no Hotel Hilton da Avenida Nações Unidas. Amanhã, no sábado ela se apresenta em Belo Horizonte e depois segue para Porto Alegre e Rio de Janeiro. Foram 20 minutos de entrevista coletiva contados no relógio nos quais o "fenômeno Norah" falou sobre quase tudo. O assunto proibido era seu pai, Ravi Shankar. O maior músico indiano não criou uma filha que se tornaria maior que ele. "A recomendação era clara. Se perguntassem sobre o pai, Norah se levantaria e encerraria a entrevista no ato", disse o tradutor brasileiro ao fim da coletiva. Norah Jones faz uma idéia de Brasil paradisíaco com "pessoas legais" que andam felizes e cantam pelas ruas. "Não sei se é bem isso, mas ouço dizer que os brasileiros cantam sozinhos por onde andam e que são muito simpáticos." A maior cantora da face da Terra para Norah Jones? "Elis Regina". Quem ela gostaria de conhecer? "Gilberto Gil e Caetano Veloso". Quem é uma de suas influenciadoras: "Maria Creuza". Em que lugar vai tirar férias? No Rio de Janeiro. Seria tudo populismo de fazer inveja a Paulo Maluf se Norah Jones não fosse realmente sincera com as palavras. Quando fala de música, desanca gêneros mas não cita nomes. "Eu não gosto de grandes produções. Não gosto de um monte de gente tocando. Acho que há espaço para música eletrônica, por exemplo, mas isso não me interessa." Se as pessoas precisavam mesmo de música mais limpa? "Acho que sim", afirmou. A fama ainda é um bicho papão que muitas vezes come a língua de Norah Jones. "Eu preciso de um aquecimento antes de falar, sou muito tímida. Depois de três anos, estou me soltando mais. Não sei como lidar com a fama. Não me sinto uma popstar." Sua música ganha Grammys na categoria jazz e os críticos a colocam ao lado de Diana Krall. Norah Jones faz então um reparo desconcertante: "Fui muito influenciada e posso até cantar parecido com uma jazzista. Mas não posso ser considerada uma cantora de jazz. Eu não faço jazz."

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