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‘Para fazer sucesso...’

Qual o segredo para tocar no rádio? 

Roberta Martinelli, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 02h00

De um lado, o mainstream; do outro lado, o chamado independente. Como se fossem opostos. É possível ser artista “independente” e chegar ao grande público? É possível chegar ao grande público e continuar fazendo um som sem concessões ao mercado? Qual o segredo para tocar no rádio? 

Você pode me perguntar: “mas, Roberta, você está falando sobre mercado, a obra de arte como produto?” e respondo com Caetano Veloso no documentário dos Doces Bárbaros, quando um jornalista pergunta se aquilo não é mais um produto, com esquema comercial para vender e tocar no rádio e ele responde “mas é claro que é um produto, e não conheço ninguém que queira o oposto”. 

Semana passada, recebi, na Rádio Eldorado, Mauricio Pereira e um ouvinte querido de Portugal, Octavio Carmo, perguntou: “Como fazer para construir pontes com o mainstream e não ficar retido em uma espécie de bolha esnobe?”.

Mauricio respondeu: “Quando conheci o André Abujamra, que começou comigo o Mulheres Negras, essa foi a primeira coisa que a gente se perguntou, essa pergunta não vem de hoje. Ali, no Mulheres, a gente gravou dois discos pela Warner. A gente não quis ser independente, a gente quis ser um sabão em pó, ser colega do Prince. É realmente muito doloroso você ficar preso num gueto. Vejo gente chamando essa cena independente de bolha esnobe, como se a gente fosse feliz dentro de uma gaiola trancada por fora. Realmente, eu queria vender um milhão de cópias, eu queria tocar num Rodeio. Você pensa que não?”.

Mauricio seguiu falando sobre o problema da educação no Brasil: “Essa educação péssima, isso é de propósito. Essa educação péssima e inexistente no Brasil quebra o nosso meio porque, num país de 200 milhões de habitantes, os artistas independentes estão trabalhando para 3 milhões de pessoas, quando podiam estar trabalhando para 90 milhões. Tenho quase 58 anos, não sei se até ao fim da minha vida algum dos meus discos vai ter acesso à 200 mil pessoas, se vou ter que ficar a vida inteira tocando na Vila Madalena. Isso não é bom, a gente luta para sair da bolha, mas tem uma coisa que é da condição do País, que não permite. Está cada vez mais bolha”. 

Com a questão da divisão entre os dois mundos na cabeça, no dia seguinte, recebi a cantora Tiê, que lançou na sexta-feira o quarto disco, Gaya, e uma das músicas, que é uma composição do Rafael Castro (figura forte do mundo independente), tem participação de Luan Santana (figura forte do mainstream).

Sobre o assunto, Tiê disse: “Eu sempre gostei de misturar mesmo. E essa coisa de música de qualidade de um lado e música popular do outro, ahhhh, por favor! Já chega! Música tem que ser boa, tem que entreter, tem que divertir, tem que emocionar e esses rótulos são meio bizarros. Essa coisa de se você vira popular você vira vendido... E o independente não quer vender? Vai vender a 10 reais o disco e isso não é ser vendido?”.

Como juntar os dois mundos? Ou diminuir o abismo? Não é mais artista quem vende menos, não é mais artista quem vende mais. 

Música da Semana

#nãovoucalar 

Escolhi Aíla como música da semana pois foi um show que vi no Teatro Oficina. É muito importante grifar a indignação ao assistir ao vídeo da reunião entre o apresentador do Topa Tudo por Dinheiro, Silvio Santos, o diretor do Teatro Oficina, Zé Celso Martinez Corrêa, e o prefeito e também apresentador de televisão João Dória. Retrato forte e triste do nosso Brasil. Fica, Oficina! 

+++ Blog Outra Coisa: Aíla não foge à luta em novo disco perfeito para tempos conturbados; ouça e baixe

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