Para cinegrafista, vídeo de Jackson é autêntico

O cinegrafista que filmou o vídeo em que a família da suposta vítima de Michael Jackson aparece elogiando o cantor disse hoje, em depoimento no julgamento do astro, que não viu ninguém ensaiando ou lendo um roteiro para a gravação. O depoimento de Hamid Moslehi não confirmou uma acusação feita pela mãe do menino acusador. Ela alega ter sido forçada a seguir um roteiro exaltando Jackson como parte de um plano no qual a família foi mantida presa para produzir um vídeo de reconstrução da imagem do cantor.Moslehi disse que o garoto, seu irmão e sua irmã foram à casa dele por duas ou três horas antes da gravação começar e os viu brincando, mas não ensaiando. Ele disse que a mãe esteve lá por uma hora antes da gravação e que não a viu lendo ou ensaiando.Ex-cinegrafista de Jackson, Moslehi também disse que não viu ninguém dando instruções à mãe enquanto ela se preparava para a gravação. A mulher disse que um funcionário do cantor, Dieter Wiesner, a instruiu sobre o que dizer enquanto ela se maquiava.A acusação esperava ouvir ainda hoje o depoimento de Debbie Rowe, ex-mulher de Jackson. Ela é a última grande testemunha da acusação, que espera ouvir dela a confirmação de que Jackson cometeu o crime de "conspiração".Segundo o promotor Ron Zonen, a segunda esposa de Jackson e mãe de seus dois filhos mais velhos foi obrigada a aparecer numa entrevista falando bem do cantor para poder visitar os filhos. Esse é "outro exemplo de que estas pessoas usam as crianças como instrumento de manobra", afirmou Zonen. Jackson, de 46 anos, responde a quatro acusações por abuso sexual. Ele teria cometido os crimes contra um menor de 13 anos em fevereiro e março de 2003. A defesa acredita que Debbie não dirá muito e assegura que a única coisa combinada antes da entrevista foram as perguntas e não as respostas, uma prática habitual neste tipo de encontro com a imprensa. Embora o juiz Rodney Melville, encarregado do caso, tenha autorizou na segunda-feira o testemunho de Debbie, ele também espera que esta nova testemunha não fale muito para evitar que se prolongue ainda mais este processo. Por isso, Melville assegurou que iria "restringir" o testemunho de Debbie aos temas relacionados à suposta entrevista falsa.Mas os desejos das três partes - acusação, defesa e juiz - podem entrar em conflito com as intenções da testemunha. A ex-mulher e o cantor estão envolvidos em outra briga judicial pela posse dos filhos, que no momento do divórcio foi cedida a Jackson. A batalha é tão agressiva que até as duas crianças, Prince Michael, de 8 anos, e Paris, de 7, têm seus próprios advogados.O que parece certo é que o testemunho dela não dará muita informação sobre a vida a dois com Jackson. O acordo de confidencialidade assinado por Debbie após seu divórcio ressalta que não pode discutir sobre "paternidade, condição física e mental de Michael, drogas e seu comportamento sexual". Além disso, ela não pode falar sobre o estilo de vida do ex-marido e de seus filhos.

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