Para China, novo CD do Guns N' Roses é ataque ao povo chinês

'Chinese Democracy' foi lançado nos EUA no domingo e traz duras críticas à ditadura comunista chinesa

Efe e Associated Press,

24 de novembro de 2008 | 12h17

Um dos jornais editados pelo Partido Comunista da China classificou o novo álbum da banda Guns N' Roses, Chinese Democracy, como um ataque ao povo chinês. Adiado desde 1994, quando começaram as gravações, o CD, que chegou às lojas dos Estados Unidos no domingo, 23, traz duras críticas à ditadura comunista chinesa e ainda não está disponível nas lojas do país, mas pode ser escutados sem censura nenhuma pela Internet.   Veja também: Guns n´ Roses - "Chinese Democracy"   Em um artigo, o jornal comunista The Global Times declarou que 'internautas não identificados' classificaram o CD como "parte de uma conspiração de grupos de Ocidente para 'controlar o mundo usando a democracia como um títere'". O ministro do Exterior chinês não se pronunciou sobre o assunto, mas um porta-voz disse: "Não precisamos comentar isso". O porta-voz do ministério que controla lançamento de álbuns e shows não foi encontrado para comentar.   A livraria Xinhua de Pequim, principal loja de livros e discos da capital chinesa, não dispõe, por enquanto, de cópias do álbum, mas tinha outros trabalhos anteriores do grupo californiano, que não fazia um disco de canções inéditas desde 1991 - em 1993, saiu um álbum de covers.   "É possível que o disco não consiga os direitos autorais de propriedade intelectual na China", comentava um funcionário da loja, que sabia, no entanto, que o último disco da banda faz referência à China.   Apesar disso, a página da banda no site MySpace, onde desde semana passada é possível escutar as músicas de Chinese Democracy, é acessado sem problemas da China, assim como o site oficial do grupo e os vídeos musicais de portais como YouTube.   A gravadora dos Guns N' Roses, Geffen Records, adiantou na semana passada que seria pouco provável que o disco possa ser distribuído na China, por seu conteúdo crítico contra Pequim. Na música-título - tocada pela primeira ao vivo no Rock in Rio 3, em 2001 -, Axl Rose, vocalista e único componente da formação original, cita sutilmente a organização religiosa budista Falun Gong, da qual é firme defensor e que foi ilegalizada pelas autoridades chinesas em 1999 - "vocês não podem continuar agora", diz a letra.   Ela ainda contém outras claras alusões desafiantes à ditadura comunista, como um verso que diz "inclusive com punho de ferro / tudo o que têm é o Governo da nação / mas eu tenho o tempo precioso".

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