Paixão de Chico por futebol vira especial de TV

Oitavo episódio da série Chico Buarque Especial, O Futebol estréia na programação da DirecTV a partir de hoje, com reapresentações até o dia 14. O especial tem por premissa focar temas recorrentes na vida e obra de Chico Buarque, sob análise do próprio compositor. E não é segredo para ninguém que, no patamar das grandes paixões de Chico, o futebol ocupa algum dos lugares mais privilegiados, próximo de música e literatura. Há quem diga que Chico só se tornou músico porque não conseguiu brilhar no futebol. A dado momento do episódio, ele admite que, antes de começar a gostar de música, pensava em ser jogador, embalado pela admiração por vários craques. E não por influência do pai, Sérgio Buarque de Hollanda, que não gostava do esporte. Na constelação futebolística que povoa seu imaginário, ele lembra do centroavante Pagão, do Santos, de quem é grande fã e a quem descreve como jogador elegante e com uma "troca de bola formidável". Ele e Pagão se encontraram em 1984, no estádio do Politheama, no Rio. O momento, um dos mais importantes para o Chico fã, foi ao ar em um especial de TV e resgatado neste episódio. Há toda uma mis-en-cène de Chico tirando a roupa comum (as câmeras registram, rapidamente, o compositor nu) e vestindo a roupa do time. Fã e ídolo trocam figurinha e batem bola juntos. Ainda em suas memórias, vem-lhe a inauguração do Maracanã na Copa de 1950, quando ele ainda morava em São Paulo. "Era o maior estádio do mundo. Ficava só imaginando", recorda Chico. O Maracanã foi escolhido para ser cenário deste episódio, gravado um dia antes do início da reforma do estádio. "O sujeito na geral não vê o jogo todo, só abaixo do campo, só vê as pernas dos jogadores, não vê o que acontece no outro lado. Por isso, muitos trazem rádio para entender o que está acontecendo", conta. "Mas a geral vai acabar." Torcedor do fluminense, Chico diz que é não fanático pelo time, mas por futebol. Era torcedor mais voraz aos 6, 7 anos. "Gosto mais de futebol do que do Fluminense." Criador do time de botão Politheama, ele entoa, divertindo-se, o hino também idealizado por ele. "A história do Politheama tem 2.600 jogos, alguns empates e nenhuma derrota." O Futebol mostra cenas de jogos realizados para o especial, de partidas disputadas na Vila Belmiro, estádio de Santos, contra veteranos do time e outras em Lisboa, Paris e Budapeste, além de cenas de arquivo. Nesse ínterim entre jogos e papo sobre futebol, Chico canta repertório que remete a esse universo, incluindo músicas como Bom Tempo, Biscate e O Futebol. "O futebol na música popular sempre foi muito citado", observa. Em breve, mais três episódios da série serão lançados em DVD pela EMI.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.