Países ricos copiam escolas musicais antigangues da Venezuela

Orquestras e coros de jovens daVenezuela ajudaram milhares de crianças a resistir a entrar navida do crime em algumas das mais violentas favelas da Américado Sul. Agora, países ricos estão copiando o sistema. No ano passado, a Filarmônica de Los Angeles nomeou comoseu diretor o maestro venezuelano e uma das maiores estrelas damúsica clássica no mundo, Gustavo Dudamel, de 27 anos, atraindoa atenção para a notável rede de escolas de música na qual eleestudou. Cerca de 300 mil crianças venezuelanas, entre as quaismuitas de bairros pobres ou de distantes cidades na regiãoamazônica, agora escolhem violinos e trombones em vez de armase drogas, provando que Mozart e Berlioz podem ser tãoestimulantes como batidas de rap, mesmo para os jovens doséculo 21. "Isto é visto como o projeto mais avançado da músicaclássica", disse Dudamel. "Dar às crianças um futuro mesclado àsensibilidade que a música oferece é algo sem paralelo." Dudamel cresceu em uma cidade interiorana e começou a tocarviolino aos 10 anos de idade. Ele se integrou ao sistema deescolas de música alguns anos depois para aprender a reger eaos 18 já era o diretor musical da orquestra jovem nacional. Governos de vários lugares, desde Los Angeles à Escócia,podem não gostar muito do governo socialista adotado pelopresidente venezuelano, Hugo Chávez, mas irão em breve tentarreproduzir em suas ruas os bons resultados da Venezuela. O centro musical no bairro de Carapita, em Caracas, é umdos primeiros exemplos do programa em ação em uma cidade onde acada semana dezenas de pessoas morrem em confrontos de ganguesrivais. As aulas de música são dadas em um centro comunitáriolotado em meio a um labirinto de ruelas e precárias casas detijolos. Cerca de 200 crianças se reúnem por quatro horas deprática de música e coral durante seis dias na semana, no queos venezuelanos simplesmente chamam de "O Sistema". "A orquestra é minha família. Nada antes tinha meentusiasmado tanto como isto", disse Francisco Henriques, de 14anos, que pratica o trombone na cobertura de sua casa nummorro, acompanhado por seu gato. "A música é tudo o que eusempre desejei." Ao mesmo tempo em que traz disciplina e auto-estima, aorquestra insiste que as crianças e adolescentes frequentem aescola regular. Professores dizem que o sistema reduzdrasticamente a evasão escolar em favelas que têm algumas dasmaiores taxas de homicídio do mundo. "Nós estamos dando metas para as crianças", disse o diretorda orquestra de Carapita, Reinaldo Justo. "Não sabemos se elesserão grandes músicos ou não, mas o que é importante é que nósos estamos salvamos do tempo ocioso, que em lugares como estepode ser imensamente destrutivo." Esta idéia de combater a delinquência gerando músicos temum crescente número de entusiastas em países mais acostumados atratar a música clássica como exclusividade de uma elitepróspera. A Grã-Bretanha se comprometeu na sexta-feira a darinstrumentos musicais a crianças pobres e ensinar músicaclássica em um esquema inspirado pela Venezuela, sob a direçãodo renomado violoncelista Julian Lloyd Webber e com o aporte de600 mil dólares de recursos do Estado. A Escócia iniciou projeto semelhante no ano passado, e LosAngeles planeja para outubro sua primeira orquestra de jovensnos mesmos moldes.

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