Pai de David defende adoção de seu filho por Madonna

O pai biológico de David, de 1 ano e um mês, o menino africano de Maláui adotado pela pop star Madonna, criticou nesta quarta-feira os grupos de direitos humanos que querem reverter o processo de adoção e disse que a criança deve ficar com a cantora. Madonna e Guy Ritchie obtiveram de um tribunal de Maláui a custódia temporária de David, cuja mãe morreu no parto.O Comitê Consultivo de Direitos Humanos, uma coligação de 67 organizações, fez um pedido formal na terça-feira ao governo de malauiano criticando os critérios estabelecidos para a adoção de crianças por estrangeiros. O comitê "lembra" que, pela lei, pessoas que não residem no país devem ficar com a guarda da criança por 1 ano e meio ou 2 anos antes de conseguir uma custódia preliminar - que Madonna já obteve. O fato de Madonna já ter levado David para viver com ela em Londres irritou os grupos de direitos humanos porque a legislação de Maláui estabelece que, para adotar uma criança, é preciso viver no país durante um ano, enquanto os serviços sociais verificam se os candidatos a pais estão capacitados para criá-lo."Onde estavam essas pessoas quando David estava lutando para viver no orfanato? Essas pessoas que se auto-intitulam a favor dos direitos humanos devem deixar meu bebê em paz", declarou Yohane Banda. "Na posição de pai, eu digo que está tudo bem. Para nossa vila está tudo bem, então porque eles ficam criando problemas? Por favor, faça eles pararem", completou Banda.Marita, a mãe de David e esposa de Banda, morreu aos 28 anos, um semana após dar à luz ao menino. Em dez anos de casamento eles tiveram outros dois filhos, que morreram na infância, vítimas de malária."Eu fiquei sozinho com a criança, não tenho dinheiro, não pude comprar leite para ele, então eu o deixei no orfanato", disse Banda."A vida no orfanato não é boa. Nós deixamos crianças lá porque não podemos cuidar deles apropriadamente. Agora meu filho será criado por uma mulher carinhosa, e essas pessoas querem trazê-lo de volta para o orfanato", lamentou Banda, falando de sua pequena plantação de cebolas e tomates.A vila onde Banda mora é típica de muitas regiões de Maláui, sem eletricidade, sem água encanada. Alguns habitantes nunca tinham ouvido falar de Madonna antes da polêmica adoção. A cantora encontrou David no orfanato Casa de Esperança onde vivem mais de 500 crianças que perderam um ou ambos os pais.A adoçãoMadonna e seu marido, o cineasta Guy Ritchie, ficaram oito dias em Maláui e na última quinta-feira conseguiram a adoção provisória de David. Voltaram na sexta-feira para Londres, sem o menino, pois ele não tinha passaporte. Banda assinou os papéis permitindo que o filho fosse adotado e o juiz Andrew Nyirenda concedeu às celebridades a permissão para levar David para Londres. A criança chegou ontem à mansão da "nova família" na capital britânica, acompanhado por uma assistente de Madonna e seguranças da cantora.O jornal "The Times" publicou, em sua edição online de terça-feira, carta aberta da pop star Madonna e de seu marido, o cineasta Guy Ritchie, explicando os motivos que a levaram a adotar um menino de um ano em Maláui, na África.Segundo Penston Kilembe, diretor do Serviço de Assistência à Criança do Ministeriode Serviços Comunitários de Maláui disse à "Associated Press" que as leis que os grupos de direitos humanos estão se referindo são arcaicas."Essas leis datam de 1940; as coisas mudaram agora", ele disse. "Madonna e seu marido não violaram as leis como têm sido aplicadas pelo governo. Eles seguiram todos os passos legais"Kilembe disse que ao aprovar a adoção do menino David o governo procurou preservar os direitos da criança e da família.O presidente do grupo de direitos humanos, Justice Dzonzi, disse que eles não são contra a adoção, mas querem que a lei seja seguida. "Se Madonna realmente quer a criança, ela deveria pedir permissão para residir em Maláui", disse."Quem quer que ela seja é uma mulher que tem um coração generoso", disse Lipunga, o líder da vila onde vive o pai de David. "Nós todos gostamos dela aqui e esperamos que ela nos visite em breve".

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