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Pai de Amy Winehouse quer se livrar da fama de oportunista

Mitch Winehouse faz 4 shows no Brasil e critica o documentário sobre a filha: 'A gente se amava'

João Paulo Carvalho, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2015 | 04h00

Um pai ausente, oportunista e aproveitador do talento da filha. Mitch Winehouse, de 65 anos, tem todos os motivos do mundo para vir ao Brasil tentar se redimir da fama de carrasco. No País, ele, que é cantor de jazz, faz apresentações, incluindo em São Paulo. Quem assistiu ao documentário Amy, que relata a precoce e jovem carreira da cantora britânica morta aos 27 anos, passa a odiá-lo sem precedentes. "Eu só queria encontrá-la agora e dar um beijo e um abraço nela. Esse é o meu desejo. Sinto saudade da Amy", diz Mitch em entrevista ao Estado, por telefone, de Londres.

Apesar da emoção, o rótulo de figura maligna não veio por acaso. Em um dos momentos mais marcantes da produção do diretor britânico Asif Kapadia (o mesmo do documentário sobre Ayrton Senna), Mitch aparece perseguindo a própria filha com uma equipe de filmagem na Ilha de Santa Lúcia, onde ela ficaria internada por alguns meses para se tratar das drogas. Amy também surge contrariada em outra cena. A artista tira a contragosto uma foto com um casal de turistas. Quando termina, o pai lhe dá uma bronca porque ela não atende corretamente aos pedidos dos fãs. "O filme é equivocado e desequilibrado. Todo mundo que participou da produção desse documentário deveria se envergonhar. Minha relação com a Amy era repleta de amor. Tínhamos alguns problemas, como qualquer família. Mas, no geral, a gente se amava muito", afirma.

No Reino Unido, o ex-taxista e crooner nos clubes de Londres chegou a ser acusado de ignorar os problemas de Amy com o álcool e as drogas. Alguns críticos disseram que Mitch se beneficiou da fama da filha para aparecer na mídia. "Isso é uma grande mentira. Apenas eu e Amy sabemos da nossa relação e do enorme carinho que tínhamos um pelo outro. Eu nunca ignoraria um problema desse porte. Quero ajudar e abrir um escritório da Amy Winehouse Foundation no Brasil. Muitas pessoas chegaram a dizer que faço as coisas por pura vaidade e oportunismo. Há várias crianças e jovens carentes no mundo e no Brasil na mesma situação da Amy. Quero recuperar todos eles", diz Mitch.

 

Outra cena bastante contundente do documentário é quando Amy Winehouse teve sua primeira crise de overdose com apenas 23 anos de idade. O pai parece não ter reagido muito bem ao vício da filha. Apesar da gravidade do problema, Mitch afirmou que Amy não precisava ser internada em uma clínica de reabilitação. Só assim ela poderia fazer sua primeira turnê pelos EUA. "Confesso que fui duro em alguns momentos, mas pensava sempre no quesito profissional da coisa", lembra.

Shows no Brasil. Quatro anos após a morte de Amy Winehouse, o cantor de jazz desembarca pela primeira vez no País para uma série de shows. A turnê passará por Porto Alegre (15); São Paulo (16); Rio de Janeiro (18) e Natal (20). A receita das apresentações será doada para a Amy Winehouse Foundation, ONG criada pela família da artista com a missão de recuperar jovens dependentes químicos.

Com standards do jazz e clássicos da música brasileira, o repertório da apresentação será baseado no terceiro disco de Mitch, Bela Brazil. "A Amy sempre gostou de música brasileira. Ela passou a admirar ainda mais a sonoridade do Brasil depois da temporada que passou no País. Amy ficaria muito feliz em saber que estamos ajudando os brasileiros que se encontram em situação semelhante a que ela viveu. O dinheiro que for levantado no Brasil permanecerá no Brasil", ressalta.

Além de dueto com Elza Soares, o novo álbum traz a participação de Anselmo Netto, percussionista baiano radicado em Londres. Os dois vão participar das quatro apresentações realizadas no País. Elza, inclusive, fará um dueto com Mitch. "Acho que a Amy adoraria ouvir grande parte das canções desses shows. São, de fato, nossas raízes musicais. Conheço a Elza há algum tempo. Ela é uma cantora formidável. Fora de sério. Será um prazer enorme dividir o palco com ela. Elza tem uma voz potente e que assusta pela intensidade", conclui.

Canções como Goin'Out of My Head (Teddy Randazzo / Bobby Weinstein), Please Baby Don't (Sergio Mendes/John Legend), Insensatez (Tom Jobim/Vinicius de Moraes) e Rehab (Amy Winehouse/Mark Ronson) já estão confirmadas nos shows. "O repertório foi bem escolhido. Há canções belíssimas e algumas surpresas. Não sei se teremos alguma homenagem a Amy. Acho que o show, por si só, já pode ser considerado uma grande homenagem a ela, você não acha?"

Fã de carteirinha de música brasileira, o pai de Amy incorpora clássicos de Tom Jobim em suas apresentações desde a época em que se apresentava nos tradicionais bares do norte de Londres. Mitch Winehouse mostrou a obra do cantor e compositor brasileiro para Amy, que ficou fascinada.

Músicas como Meditação e Corcovado foram citadas por Mitch. "Cantava muitas músicas do Tom Jobim com ela. Amy gostava bastante dele também. Eu a flagrei cantarolando coisas do Tom por aí várias vezes. Meditação e Corcovado são as minhas favoritas. Queria poder incluir mais coisa, mas, infelizmente, não consegui fazer isso. A lista de canções brasileiras é gigante. Torna-se impossível fazer uma peneira e escolher músicas pontuais. A música brasileira é uma das mais bacanas do mundo", diz.

MITCH WINEHOUSE

Teatro Bradesco. Rua Palestra Itália, 500, 3º piso, Bourbon Shopping. Informações: 4003-1212. Dia 16/11, às 21h. R$ 50/ R$ 300.

MÚSICAS DO SHOW

Going'Out of My Head

Música emblemática de Teddy Randazzo e Bobby Weinstein

Please Baby Don’t

Levada boa de Sergio Mendes e John Legend

Insensatez

Clássico de Tom e Vinicius

Rehab

Maior hit da carreira de Amy Winehouse será cantada com elegância por Elza Soares

 

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