Marcos de Paula/ Estadão
Marcos de Paula/ Estadão

Paes volta atrás e garante verba para Sinfônica Brasileira

Prefeito do Rio havia cancelado repasse de R$ 8 milhões anuais ao grupo e proposto união de orquestras cariocas

Heloisa Aruth Sturm - O Estado de S.Paulo,

02 de maio de 2013 | 18h59

RIO - A prefeitura do Rio de Janeiro voltou atrás e decidiu manter o repasse de R$ 8 milhões à Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Em reunião realizada na tarde de ontem no gabinete do prefeito Eduardo Paes, com a presença do superintendente da OSB, Ricardo Levisky, e outros três conselheiros, ficou acertado que a parceria entre a prefeitura e a Sinfônica, que já durava 20 anos, será mantida. Na reunião ficou decidido também que o atual secretário municipal de cultura, Sérgio Sá Leitão, passará a integrar o conselho da OSB.

A suspensão da parceria chegou a ser formalizada pelo prefeito no dia 18 de março, em carta à OSB. O corte representaria um quinto do orçamento da Sinfônica. Desde o dia 20 de março, a OSB tentava marcar uma reunião com a administração municipal para tentar reverter a decisão, sem sucesso. Somente ontem os conselheiros conseguiram agendar a reunião, depois que a notícia veio a público no último sábado, quando o jornal O Globo informou que a prefeitura havia decidido interromper o apoio financeiro para investir na preparação para a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Durante esta semana, a prefeitura recebeu duras críticas pela decisão de retirar o repasse. Na terça-feira, o prefeito chegou a dizer, em entrevista coletiva, que "o dinheiro público tem que ser investido em coisas que, de fato, tragam projeção à cidade", e sugeriu que o Rio não precisa de duas orquestras e que a OSB deveria se fundir à Orquestra Petrobrás Sinfônica (Opes).

"O Rio tem duas orquestras sinfônicas. Uma tem como regente Isaac Karabtchevsky, meu querido amigo. Outra tem (Roberto) Minczuk, com quem tenho boa relação. Eu tenho defendido há muito tempo que essas orquestras se integrem e tenham um orçamento, de fato, volumoso, que as permita ter uma projeção que uma cidade como o Rio de Janeiro merece." Na verdade, o Rio conta com três grandes orquestras: além da OSB e da Opes, há ainda a Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, fundada em 02 de maio de 1931 - a mais antiga da cidade. Grandes capitais, como Berlim e Viena, têm no mínimo cinco.

Paes também afirmou que "os músicos que tocam na OSB e na orquestra da Petrobrás são, em muitos casos, os mesmos". A afirmação, no entanto, não procede. A confusão feita pelo prefeito ocorreu porque a Fundação mantém duas sinfônicas: a OSB, onde os músicos atuam em dedicação integral, e a OSB Ópera & Repertório, formada por dissidentes que foram readmitidos durante a crise que assolou a orquestra em 2011, e que conta atualmente com 35 músicos atuando sem regime de exclusividade - destes, sete também participam da Opes.

Com a nova decisão, o orçamento da OSB continua mantido com 20% do município, 70% da iniciativa privada (incluindo leis de incentivo), e 10% decorrente da verba de bilheteria e doações. Em nota, a OSB agradeceu as manifestações de apoio dos que "declararam solidariedade ao trabalho artístico desenvolvido em conjunto com seus patrocinadores, músicos, equipe administrativa e parceiros". A prefeitura afirmou que "o prefeito Eduardo Paes e os membros do conselho estabeleceram o desafio de transformar a OSB na principal orquestra do Brasil até 2016".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.