Pacote da BMG reúne mestres do forró

O forró está na moda. Nunca saiu da moda, apesar da Feira de Caruaru ter sido invadida pelos trios elétricos do axé baiano e seu sucedâneo cearense, tão ruim quanto. Sempre se dançou forró em São Paulo, na periferia, e nos últimos anos na cidade - meninada de classe média balançando o corpo ao som de trios de sanfona, triângulo e zabumba.Mas a moda do forró parece chegar para substituir os (ainda bem) decadentes grupos de pagode de butique, os de axé, os sertanejos pseudotexanos de Barretos e arredores. Ruim que venha sendo conduzida, a moda do forró, pela indústria. É de se supor que a indústria crie seus neoforrozeiros (já existem alguns) que, neste caso, não serão diferentes dos grupos de axé, dos pagodeiros etc.Enquanto isso não acontece, vão chegando os relançamentos de nomes mais nobres da grande festa nordestina. A coleção Eu Só Quero um Forró, recém-lançada pela BMG, cumpre a tarefa. São oito discos, embalados numa caixa, tendo como apêndice textos do crítico de música Tárik de Souza, um dos responsáveis pelo lançamento, sobre cada nome: Marinês (e sua gente), Clemilda & Gerson Filho, Luís Gonzaga, Dominguinhos, Nando Cordel, Elba Ramalho, Genival Lacerda e Fagner.Destes, o único que parece forrozeiro de oportunidade é o cearense (de Orós) Raimundo Fagner, que costuma passear pela moda do momento, seja o romantismo vagabundo ou o forró de pé-de-serra. Ainda assim, o disco de Fagner é bom, pois reúne clássicos do gênero, gravados ao longo da carreira - o fabuloso Derramaro o Gai, de Gonzaga e Zé Dantas, o Forró do Chic-Tak, de Pinto do Acordeon e Aracílio Araújo, o Forró do Tio Augusto, de Luís Vieira.Naturalmente, o melhor disco é o de Gonzaga, em que se repete o Derramaro o Gai e em cujo repertório aparecem Vem Morena, Algodão, Sangue de Nordestino. Quase tão bons quanto são os de Dominguinhos e Elba Ramalho. No primeiro, belezas como Isso Aqui Tá Bom Demais, Sai do Sereno, outra vez Vem, Morena; no segundo, Estrela Miúda (Luís Vieira e João do Vale), Tum, Tum, Tum (Oscar Barbosa e Geraldo Nunes), Tambor do Mundo (Geraldo Azevedo e Fausto Nilo).Os discos de Clemilda & Gerson Filho e Marinês & Sua Gente, o forró mais tradicional. A primeira viraria estrela do pornoforró, aquele cheio de segundos sentidos, nem sempre em segundo plano; a segunda é a rainha do gênero, a dama equiparável ao rei Luís Gonzaga. Completam a coleção o gaiato Genival Lacerda e o grande compositor Nando Cordel, o artista mais novo da série, muito gravado por Elba Ramalho e Fagner. É uma pequena história. Esperemos a mais completa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.