Pablo Rossi, de 15 anos, solista da Osesp

Quinze anos de idade, quase dez de carreira. E conversa de gente grande. "Como na maioria das obras de Haydn, a dificuldade neste concerto para piano é manter a simplicidade. Parece uma peça fácil mas, para que se tenha essa sensação ao ouvi-la, é preciso muito trabalho", diz Pablo Rossi, que toca hoje e amanhã em São Paulo - e sábado em Campos do Jordão - com a Osesp. Ele executará o Concerto para Piano em Ré Maior, de Haydn, regido por Roberto Minczuk (o programa tem ainda a Sinfonia n.º 5, de Mahler). Não é a primeira vez que toca a peça. "Foi quando tinha 9, 10 anos. E desde então minha visão mudou um pouco. A questão técnica melhorou com o tempo, mas acho que também tem um pouco da própria compreensão musical. Eu não tinha tanto conhecimento da estrutura musical e hoje sinto mais fluência, estou mais à vontade, livre." Não parece, mas é mesmo um menino de 15 anos que fala com propriedade de coisas como estrutura musical, amadurecimento de concepção, a dificuldade que reside na busca da simplicidade em compositores como Mozart e Haydn. Mas esse menino tem estado ligado à música desde os 6 anos, quando começou a estudar em Curitiba com a professora Olga Kiun. Aos 10, foi para Moscou fazer audições no Conservatório Tchaikovsky. Aos 13, era descoberto, entre os alunos de Campos do Jordão, pelo maestro Roberto Minczuk. Tocou com a Osesp, foi indicado como revelação para o Prêmio Carlos Gomes. E agora volta ao mesmo festival, mas como solista, parte de uma agenda que já o colocou ao lado da Sinfônica Brasileira e de outras orquestras do País. "Até os 18 anos, preciso me dedicar muito aos estudos e, claro, conciliar com a escola, porque às vezes viajo e, quando volto, cai tudo em cima. Foi a minha escolha e ao tocar em lugares como a Sala São Paulo, percebo que agi certo." Quando não está tocando ou estudando na escola, Pablo diz que gosta muito de ouvir música. Clássica. Maestros, pianistas preferidos? "Falta conhecer tantos que não posso dizer que encontrei uma referência." E o futuro? "É muito imprevisível. Claro, quero ser pianista, estudar fora, fazer uma faculdade. E tudo depende um pouco de sorte, de contatos, oportunidades. Ser um pianista profissional? Pode acontecer ou não." Talvez ele ainda não perceba, mas algo já está acontecendo. Osesp. Sala São Paulo ( 1.501 lug.). Praça Júlio Prestes, s/n, centro, 3337-5414, metrô Luz. Hoje e amanhã, às 21h. De R$ 22 a R$ 70.

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