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Pablo Milanés completa 75 anos sem parar de cantar e com o 'Amor' da filha Haydée

'Se você me perguntasse como eu queria morrer, eu diria que em um palco', disse o cantor cubano

Yeny García Havana/EFE, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2018 | 20h41

Pablo Milanés faz 75 anos neste sábado, 24, sem qualquer intenção de sair dos palcos ou por um ponto final em décadas de canções transformadas em hinos, que agora são renascem em Amor Deluxe, um novo álbum no qual sua filha Haydée reúne uma lista “suculenta” de convidados para homenagear a obra de seu pai.

“Se você me perguntasse como eu queria morrer, eu diria que em um palco”, disse Milanés (nascido em 1943, em Bayamo), que chega a este novo aniversário, ainda muito comprometido com sua legião de seguidores, para os quais em breve apresentará vários shows na Espanha. Desde muito jovem, teve uma carreira cheia de sucessos na qual fundou o movimento Nueva Trova Cubana com Silvio Rodríguez e Noel Nicola.

Pablo, como ele é conhecido simplesmente, tornou-se o autor de várias das canções de amor mais ouvidas e cantadas na história, como Yolanda e El Breve espacio em que no estás.

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Assíduo na recém-criada Casa de las Américas em Havana, dirigida por Haydée Santamaría - colaboradora próxima de Fidel Castro e promotora da cultura latino-americana - naquela instituição o músico apresentou seu primeiro concerto com Silvio Rodríguez em 1968.

Lá ele cantou com grandes figuras de música, como Violeta Parra, Mercedes Sosa, Chico Buarque, Simone, Vinícius de Moraes e Víctor Jara.

Dentro do lendário Grupo de Experimentação Sonora do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic), Pablo compôs temas para vários filmes, entre eles o clássico Gaijin - Ama-me Como Sou, junto de Elena Burke, a Novia del Feeling.

Este estilo musical onde o sentimento define a interpretação e o som cubano sempre exerceu uma forte influência sobre o cantor e compositor.

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Uma parte imprescindível do seu trabalho é a fase em que se aventurou na canção política e na mensagem social, com temas que converteram Milanés num dos grandes embaixadores da Revolução Cubana, em relação à qual, no entanto, adotou uma posição muito crítica.

Somente seus problemas de saúde conseguiram separá-lo da música por períodos prolongados. Em 2014, sofreu uma operação de transplante de rim, doado por sua atual esposa, a historiadora espanhola Nancy Pérez.

“Acho que é uma bênção ter meu pai tão ativo, tão feliz”, assegurou à Efe Haydée Milanés (nascida em Havana, em 1980), uma das filhas do famoso músico, que seguiu seus passos e agora assumiu o “peso do sobrenome” no período de maior maturidade, para ela como pessoa e artista.

Após o sucesso de seu Amor original, no qual ela incluiu 11 músicas clássicas e algumas não tão conhecidas, Haydée decidiu pegar o telefone e convocar “amigos e artistas muito queridos” para continuar o tributo às suas “raízes”.

Amor Deluxe terá entre 12 e 14 músicas, todas em dupla, das quais quatro singles já foram publicadas: Si ella me faltara alguna vez e La vida no vale nada, com as mexicanas Julieta Venegas e Lila Downs, respectivamente; Yolanda, com a diva do Buena Vista Social Club, Omara Portuondo e El primer amor, um dueto com Pancho Céspedes.

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Fito Páez será o próximo “figurão” a se juntar aos colaboradores do álbum, entre os quais os cubanos Carlos Varela e Issac Delgado, os mexicanos Rosalía León e Edgar Oceransky e o argentino Pedro Aznar.

Com Páez, Haydée vai cobrir o essencial Yo no te Pido, uma música que “está ficando muito boa” e que será lançada em breve, disse o cantor, que espera lançar o disco já no próximo maio ou junho.

“Este é um momento bonito, no qual tenho muito desejo de aproximar-me do trabalho de meu pai, de me reconhecer nessas raízes e o fato de coincidir com os 75 anos dele é algo muito especial”, confessou. Para a artista, é “um luxo” que Pablo Milanés continue fazendo música. “Independentemente do grande artista que ele é, é meu pai, um ser que eu adoro. Tê-lo por perto, vivo e trabalhando, é uma das minhas felicidades. Creio que o trabalho é o que o mantém. Esse tipo de artistas, tão criativos, tão geniais, precisam ficar fazendo coisas a vida toda”, disse./ Tradução de Claudia Bozzo

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