Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Pabllo Vittar lança álbum dançante, sem deixar de lado engajamento

Grande revelação do ano passado, cantora drag queen faz uma mistura brasileira em seu novo disco, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, 4

Pedro Rocha, Especial para o Estado

04 Outubro 2018 | 06h00

Há exatos três anos, a drag queen Pabllo Vittar surgia na cena musical brasileira. Desde então, lançou o primeiro disco, Vai Passar Mal (2017), e se tornou a primeira drag queen a disputar um prêmio do Grammy, pela parceria com Major Lazer e Anitta na música Sua Cara, que concorre na edição latina de 2018. Agora, já como estrela internacional reconhecida, e com parcerias com outros nomes estrangeiros, como a britânica Charli XCX e os norte-americanos do Sofi Tukker, Pabllo está de volta com o seu segundo disco, Não Para Não, o primeiro com uma grande gravadora (Sony), que será lançado, apenas nas plataformas digitais, nesta quinta, 4.

A equipe de produtores, porém, continua a mesma, o Brabo Music Team. O trabalho é dançante e uma grande mistura de ritmos populares brasileiros e latinos. Buzina, que abre o disco, é um grito do brega. Seu Crime, um forró. Miragem, uma aventura pela cumbia. “Trouxe desde a minha vivência em Belém do Pará, onde morei quando criança, passando por Maranhão, meu Estado de origem, até Minas Gerais, São Paulo e minhas influências de lá de fora,” diz Pabllo ao Estado.

Desta vez, segundo ela, a grande diferença foi a qualidade técnica da gravação, feita em Los Angeles. “Tive a experiência de gravar fora e a qualidade está realmente superior a de Vai Passar Mal”, assume. “Mas ainda amo o disco com todas as forças, não vou mentir.” O amor tem a ver com um sentimento de gratidão que Pabllo carrega, principalmente pelas pessoas ao seu redor. “É primordial dar valor ao amor e ao respeito de quem está com você desde o começo, é algo que minha mãe me ensinou.”

Não por acaso, além de contar com parcerias com nomes de sucesso mercadológico, como os brasileiros Ludmilla e Dilsinho, além do DJ norte-americano Diplo, do Major Lazer, Pabllo Vittar traz no novo álbum um dueto com a cantora transexual Urias, sua amiga de longa data, de quando morava em Uberlândia, na canção Ouro, que fala sobre superação de dias difíceis. “Essa música é um grito de apoio às gatas”, diz Pabllo, em referência à comunidade LGBTQIA+, da qual se tornou uma grande voz.

Em uma recente premiação musical, transmitida ao vivo na TV, a cantora de 23 anos fez questão de se posicionar politicamente sobre as eleições. “A gente tem mesmo que abrir a boca. Ou nos unimos agora, ou então vamos colher consequências bem ruins.” Ao mesmo tempo que se tornou uma das artistas mais populares do Brasil, Pabllo virou também um alvo para preconceitos e vítima de diversas fake news nas redes sociais. Ela, porém, diz não se incomodar com as mentiras e boatos que se espalham. “Dou risada, as pessoas não se informam. Veem aquilo e acham que é verdade.” Sabendo que são apenas mentiras, a cantora afirma que tem a consciência “tranquilíssima”. “Não vou desmentir tudo, graças a Deus tenho muito trabalho a fazer.”

É justamente por conta do clima pesado no País que Pabllo quis fazer de Não Para Não um álbum divertido. “Sempre penso nisso, trazer felicidade e alguma coisa para as pessoas se apegarem, no meio de tanta coisa ruim que tem acontecido.”

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